Identificação do Transportador
Parâmetros cadastrais compartilhados entre todos os módulos de cálculo e Memoriais técnicos
Requisitos de Produção & Material Transportado
Geometria da Calha & Correia Dimensionada
📐 Tipos de Calha e Geometria da Carga (Plano, 2 Rolos Iguais e 3 Rolos Iguais)
dp = 0,055·B + 0,9".
C = Ctabela · V · K [m³/h].
Comparativo com a Correia Instalada em Campo
Avalie se a correia existente em fábrica atende à vazão requerida| Parâmetro de Engenharia | Demanda de Produção | Correia Instalada em Campo | Diagnóstico / Margem |
|---|---|---|---|
| Capacidade Mássica de Carga | 120,0 t/h | 391,7 t/h | FOLGA DE 69,4% |
| Capacidade Volumétrica | 50,0 m³/h | 163,2 m³/h | Calha a 30,6% de ocupação |
| Velocidade Operacional | Operação contínua | 1,30 m/s | OK (Máx rec: 2,30 m/s) |
| Granulometria do Material | dmax = 50 mm | Admissível: até 203 mm | OK (Atende com folga) |
A correia instalada em campo possui capacidade máxima de 391,7 t/h, operando com 30,6% de carregamento e folga de 69,4%. Operação estável e sem risco de derramamento.
Capacidade Máxima Dimensionada (Método Prático Industrial)
CONFORMEMEMORIAL DA FORMULAÇÃO NORMATIVA
C = Ctabela × V × K = 135 × 1,30 × 0,930 = 163,2 m³/hQ = C × γ = 163,2 × 2,40 = 391,7 t/h
VERIFICAÇÕES NORMATIVAS ADICIONAIS
Parâmetros Operacionais e Geometria
Conjunto de Acionamento & Cinemática
Avaliação de Partida com Transportador Cheio
Potência Efetiva e Acionamento (Método Prático)
MÉTODO PRÁTICO| Parcela de Resistência | Equação e Tabela | Valor Unitário | Contribuição na Potência |
|---|
Comparativo Normativo: Método Prático vs CEMA / DIN 22101
| Método de Avaliação | Potência Efetiva Pe | Força Tangencial Ft | Motor Sugerido | Diferença / Status |
|---|
Avaliação de Partida com Transportador 100% Cheio
SOFT-STARTERCinemática do Acionamento & Freio Contra-Recuo
--Dados Operacionais e Geometria do Transportador
Método de Cálculo da Potência / Força Tangencial (Ft)
Sistema de Esticador e Atrito no Tambor Motriz (Acionamento)
Dados dos Blocos / Berço Instalado (Comparativo)
Dados de Projeto do Fabricante (Memorial Original)
Contrapeso Teórico Mínimo Necessário
Necessário para garantir a tensão no lado frouxo (331 kgf) e evitar o escorregamento da correia no tambor sob plena potência do motor.
Avaliação do Contrapeso Existente / Instalado
Diagnóstico Técnico Conclusivo
Parâmetros Operacionais e Geometria do Circuito
Acionamento, Atrito e Fator de Abraçamento K (Tab. 1-28 e 1-29)
Configuração do Circuito de Tração (Casos 1 a 6 — Manual págs. 1.49 a 1.51)
• T2 = K·Te (A) ou T0 + H·Wb - Fr (B)
• T3 = K·Te + Fr - H·Wb (A) ou T0 (B)
Seleção da Carcaça, Lonagem e Revestimento (págs. 1.53 a 1.55)
Tensões de Operação e Capacidade da Carcaça
CONFORME| Grandeza Normativa (Faço 1.47 a 1.56) | Valor Calculado | Equação / Referência |
|---|---|---|
| Peso Linear do Material (Wm) | 25,6 kgf/m | Wm = 0,277 × Q / V (pág. 1.47) |
| Peso Médio da Correia (Wb) | 7,7 kgf/m | Tabela 1-27 (24" = 7,7 kgf/m) |
| Tensão Mínima p/ Flecha 2% (T0) | 208,1 kgf | T0 = 6,25 × (Wm + Wb) × a (pág. 1.47) |
| Atrito nos Roletes de Retorno (Fr) | 2,9 kgf | Fr = 0,015 × L × Wb (pág. 1.47) |
| Condição de Tração Governante | FÓRMULA A (ATRITO DE EULER) | T3 (258 kgf) ≥ T0 (208 kgf) — Folga contra flecha |
| Flecha Real no Vão dos Roletes | 1,61% do vão | OK (Abaixo do limite de 2,0%) |
| Diâmetros Mínimos dos Tambores | Motriz: 400 mm | Cauda/Retorno: 315 mm | Conforme lonas e % Tad (Tab. 2-46 / 2-51) |
A correia selecionada (24 pol, 3 Lonas Mercúrio PN 2200, Emenda Vulcanizada) possui tensão admissível de 4.023 kgf, operando com tensão máxima de regime T1 = 987 kgf e fator de segurança FS = 4,08 (utilização de 24,5% da capacidade nominal). A tensão mínima no retorno T3 = 258 kgf supera T0 = 208 kgf, garantindo flecha inferior a 2% e sem risco de escorregamento.
Geometria e Dimensões Básicas do Tambor (Faço 1.57 e Tab. 1-44)
Tensões da Correia e Orientação dos Vetores (Faço 1.58 e 1.59)
Material do Eixo e Dimensionamento à Flexo-Torção (Faço 1.59 e 1.60)
Seleção e Dimensionamento de Mancais e Rolamentos (ISO 281 / CEMA)
Desenho Representativo do Tambor e Forças Aplicadas
Representação polar das forças tangenciais da correia (T1, T2), peso próprio (Wt), resultante radial (P) e reações nos mancais (RA, RB)
Memorial Analítica e Dimensionamento dos Componentes do Tambor
| Componente / Grandeza | Valor Calculado | Limite / Referência Faço | Status |
|---|---|---|---|
| Momento Fletor Máximo (Mf) | 14.174 kgf·cm | Mf = (P/2) × a = (P/2) × (L - C)/2 |
SOLICITAÇÃO |
| Momento Torsor no Tambor (Mt) | 17.260 kgf·cm | Mt = (T1 - T2) × (D/2) (Pág. 1.59) |
TORÇÃO |
| Diâmetro Mínimo do Eixo (d_mín) | 78,4 mm | d ≥ ³√[16·Mi / (π·σadm)] (Tab. 1-30) |
OK (Adotado 90 mm) |
| Flecha Máxima no Eixo (f) | 0,38 mm | f_adm = 0,70 mm (L / 1500) | CONFORME |
| Espessura Mínima do Corpo (s) | 6,2 mm | s ≥ Kc·(3·T·D) / σc (Tab. 1-31) |
OK (Adotada 9,5 mm) |
| Rolamento Selecionado | 22218 CCK/C3W33 (Cr = 34,2 t) | Autocompensador de Dupla Carreira de Rolos (Folga C3) | SELECIONADO |
| Mancal Bipartido Recomendado | SNL 518 + Bucha H 318 | Vedação Taconita / Labirinto | PADRONIZADO |
| Vida Nominal do Rolamento (L10h) | 142.500 horas | Requerida ≥ 50.000 h (≈ 5,7 anos) | AMPLAMENTE APROVADO |
O tambor de acionamento (Ø 400 × 710 mm) atende com total segurança aos esforços radiais e momentos combinados. O eixo adotado de Ø 90 mm em aço SAE 1040 supera o diâmetro mínimo requerido de 78,4 mm e apresenta flecha sob carga de 0,38 mm, respeitando com folga o limite rígido de 0,70 mm (L/1500). Os rolamentos autocompensadores 22218 EK suportam a carga radial de 746 kgf com vida estimada L10h superior a 140.000 horas de operação ininterrupta.
Geometria do Tambor de Descarga & Correia
Cinemática & Centro de Gravidade (Faço 1.84 - 1.85)
Equações de Trajetória (Manual Faço pág. 1.84)
r = (D/2 + e + a) / 1000 [m]n = (60.000 × V) / (π × D) [rpm]Vt = (r × n × π) / 30 [m/s]Y = Vt² / (g × r) [adimensional, g = 9,8 m/s²]i = 50 × Vt [mm] (avanço a cada 1/20 s)j = 0,5 × g × t² [mm] (cotas verticais da Tab. 1-46)
• Se Y ≥ 1: A força centrífuga supera a gravidade. Desprendimento tangencial imediato na chegada ao tambor.
• Se Y < 1: O material é retido contra a correia pela gravidade até atingir o ângulo cos Ψ = Y ⟹ Ψ = arccos(Y).
Parâmetros Físicos da Trajetória de Descarga
Desenho Técnico da Trajetória & Defletor do Chute
Cotas Analíticas de Queda Livre (Tabela 1-46 - Pág. 1.86)
Cotas verticais de queda j = 0,5 × g × t² e avanço na tangente k × i conforme a Tabela 1-46 do Manual Faço:
| Ponto (k) | Tempo t (s) | Avanço k·i (mm) | Queda j (mm) | Coord. X (mm) | Coord. Y (mm) |
|---|
Recomendações Construtivas de Chutes e Defletores (Manual Faço pág. 1.87)
Dimensionamento de Chute em Conformidade
A trajetória parabólica calculada estabelece o envelope livre de descarga. A placa defletora de desgaste deve ser posicionada a um ângulo entre 45° e 60° em relação à linha do fluxo, atenuando o choque mecânico e a quebra granulométrica do produto. O raspador de correia primário de poliuretano deve ser posicionado na tangência inferior do tambor, com calha coletora direta para a bica.
1. Cuidados Antes da Partida (Manual Faço pág. 9.16)
Inspeção preliminar obrigatória antes de qualquer energização do equipamento:
2. Partida em Vazio (Manual Faço pág. 9.16)
3. Testes com Carga Escalonada (Faço 9.16 - 9.17)
4. Técnicas de Alinhamento da Correia (Manual Faço pág. 9.17)
Se a correia tende a correr para um lado de modo que possa danificar-se, alguns roletes situados cerca de 3 a 6 metros antes da região de desvio devem ser inclinados ligeiramente para mantê-la centrada. O desalinhamento nunca se origina onde aparece pela primeira vez!
Nota técnica da Faço: O efeito da inclinação dos roletes não é imediato. Aguarde alguns minutos antes de efetuar outro ajuste.
Diagnóstico Comparativo de Desalinhamento:
Causa: Correia defeituosa com curvatura longitudinal na carcaça ou emenda feita fora de esquadro. A única solução definitiva é cortar e refazer a emenda rigorosamente no esquadro.
Causa: Os roletes naquele ponto estão fora de esquadro (não perpendiculares à linha de centro) ou a estrutura metálica está desnivelada.
Se o ajuste convencional não estabilizar o percurso no retorno e na carga, instalar cavaletes auto-alinhadores pivotantes dotados de rolos guias verticais.
5. Segurança & Operação Contínua (Manual Faço pág. 9.18)
Nos casos em que o transportador possui passadiço apenas de um lado, é extremamente perigoso ajustar os roletes do lado oposto ao passadiço com a correia em movimento! Para qualquer ajuste deste tipo, o equipamento DEVE ser desligado, desenergizado e bloqueado (LOTO).
O sistema de esticamento deve ter sempre a carga mínima necessária para impedir o deslizamento entre correia e tambor motriz, mantendo uma flecha de no máximo 3% do espaçamento entre roletes.
Quando em operação com carga total, examinar diariamente as bordas, raspadores primários/secundários e a transição para detectar desgastes prematuros e corrigir suas causas antes de falhas graves.
A correia se desvia para um lado num mesmo ponto fixo do transportador
A correia se desvia para um lado ao longo do mesmo trecho (viaja com o ponto da correia)
A correia se desvia em qualquer ponto indistintamente (instabilidade geral)
Desgaste excessivo na borda da correia transportadora
Esticamento demasiado / excessivo da correia
1) Aumentar a velocidade mantendo a mesma vazão de material;
2) Reduzir a vazão horária mantendo a velocidade;
3) Usar o contrapeso de tamanho mínimo necessário (cálculo de Euler);
4) Revestir os tambores de acionamento ou aumentar o arco de abraçamento para diminuir a tensão frouxa requerida;
5) Substituir roletes emperrados e diminuir o coeficiente de atrito global.
Encurtamento da correia transportadora
1) Substituir a correia por outra com carcaça sintética resistente à umidade (Poliéster/Nylon EP);
2) Instalar cobertura metálica superior ao longo de todo o percurso externo;
3) Aumentar o comprimento inserindo um pedaço de correia com esticador a meio curso.
Ranhuras, cortes e rupturas longitudinais na cobertura superior
Pequenos cortes e rachaduras na carcaça em estrela ou paralelos às bordas
Rachaduras transversais nas bordas da correia
Bolhas e descolamento no revestimento de borracha
Desgaste uniforme e prematuro do revestimento em contato com o material
A correia levanta-se dos roletes, abaulando-se no centro
O revestimento incha em pequenas manchas ou em forma de linhas
Emendas mecânicas soltas ou arrancando grampos
Rasgos transversais que aparecem imediatamente atrás das emendas mecânicas
Rasgos longitudinais que atravessam parcial ou totalmente a correia
Rupturas em crescente ou manchas esponjosas (apodrecimento da carcaça)
Rupturas longitudinais na carcaça sem avaria visível nas coberturas externa/interna
Endurecimento, vitrificação e rachaduras na cobertura por calor
Plano de Lubrificação Preventiva (Manual Faço Tab. 9-06 - Pág. 9.22)
Periodicidades de lubrificação, tipos recomendados e equivalências dos fabricantes industriais:
| Componente | Tipo de Lubrificante | Intervalo Faço | Shell | Mobil | Texaco | Ipiranga |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Mancais de Rolamento dos Tambores | Graxa Lítio NLGI-2 com aditivo EP | 500 a 1000 h | Alvania EP 2 | Mobilux EP 2 | Multifak EP 2 | Ipiflex EP 2 |
| Roletes de Lubrificação Periódica | Graxa Lítio NLGI-2 | 1200 a 2400 h | Alvania R2 | Mobilgrease MP | Marfak Multi | Isaflex 2 |
| Redutores de Velocidade Industriais | Óleo Mineral AGMA-5 / AGMA-6 (ISO VG 220/320) | 2500 a 5000 h | Omala 220 / 320 | Mobilgear 630 / 632 | Meropa 220 / 320 | Ipiranga SP 220 |
| Esticador de Parafuso / Fuso Manual | Graxa Grafitada ou Lítio EP | 300 a 600 h | Retinax HD | Mobilgrease Special | Marfak Heavy Duty | Ipiflex G |
Catálogo Técnico de Tipos de Esticadores para Correias
Conheça os mecanismos de tensionamento, suas equações de força, esquemas funcionais e critérios de seleção na engenharia industrial.
1. Gravidade Vertical (Torre Tensor / Carrinho)
Tambor tensor suspenso em retornoComo funciona: O tambor tensor fica alojado em guias verticais e é sustentado pelas duas pernas de correia. O conjunto de blocos de contrapeso desce livremente por gravidade.
- Mantém a tensão rigorosamente constante em toda a vida útil da correia.
- Compensa automaticamente a elasticidade elástica e a deformação permanente da correia.
- Exige altura de torre ou poço profundo abaixo do transportador.
2. Gravidade Horizontal (Carro de Cauda)
Tambor de retorno com roldana e caboComo funciona: O tambor de cauda é montado sobre um carrinho com rodas em trilhos horizontais, puxado por cabo de aço ligado a um peso suspenso.
- Ideal para túneis subterrâneos, galerias e prédios onde não há altura vertical para torre.
- Atrito dos rolamentos das rodas e guias no trilho pode amortecer a resposta da tensão.
3. Fuso / Parafuso Manual (Mecânico)
Mancal corrediço de ajuste roscadoComo funciona: O esticamento é feito apertando ou soltando manualmente porcas em fusos roscados em cada mancal do tambor de cauda.
- Solução mais barata, extremamente compacta e de fácil instalação.
- Não compensa a dilatação da correia sob carga. Exige reapertos frequentes.
- Restrito a transportadores curtos (geralmente menores que 25 ou 30 metros).
4. Hidráulico / Pneumático Automático
Cilindro de tração com acumulador de pressãoComo funciona: Cilindros hidráulicos aplicam força direta no carro tensor. O acumulador de nitrogênio amortece choques e garante pressão contínua.
- Permite monitoramento remoto via CLP e ajuste de sobrepressão durante a partida.
- Requer unidade hidráulica (UHA), filtros, fluido de óleo e manutenção periódica.
5. Guincho Elétrico / Cabo de Aço Inteligente
Tensionamento eletrônico com célula de cargaComo funciona: Um guincho motorizado puxa o carro tensor com comando em malha fechada comandado por sensor de carga na partida e regime.
- Curso de tensionamento ilimitado. Ideal para correias de centenas de metros ou quilômetros.
- Maior custo de investimento em instrumentação e automação.
Guia Didático de Engenharia: Fórmulas e Parâmetros
Fundamentação teórica, formulações matemáticas e metodologias normativas organizadas por cada módulo de cálculo do transportador.
1.1 Geometria da Calha, Seção Transversal e Capacidade do Transportador (Tabelas Normativas 1-03 a 1-06)
A capacidade de transporte de uma correia de borracha é diretamente proporcional à área da sua seção transversal útil de material, à velocidade linear de deslocamento (V) e ao peso específico aparente do material (γ). A seção transversal é formada pela conformação da correia sobre os cavaletes de roletes, gerando uma calha contínua.
C = Ctabela × V × K [m³/h] | Q = C × γ [t/h] | A = A₁ + A₂ [m²]
📐 Tipos de Calha e Geometria da Carga (Plano, 2 Rolos Iguais e 3 Rolos Iguais)
Esquema padronizado de calha: Plano (0°), 2 Rolos Iguais (calha em V) e 3 Rolos Iguais (calha trapezoidal) com ângulo de sobrelevação (α), inclinação dos rolos (β) e borda livre (dp)
dp = 0,055·B + 0,9". Garante margem de segurança contra transbordamento.
C = Ctabela × V × K.
K (Tabela 1-03).
Detalhamento dos Parâmetros e Metodologia Construtiva da Calha:
- Formação da Calha e Tipos de Roletes:
- Roletes Planos (0°): Correia repousa sobre rolo horizontal único. Usada para materiais com alta fluidez, trippers de descarga contínua ou transporte de fardos/sacos. Capacidade volumétrica reduzida.
- Calha com 2 Rolos (20°): Utilizada para correias estreitas (16" a 20") ou serviços leves onde cavaletes triplos teriam roletes excessivamente curtos.
- Calha com 3 Rolos (20°, 35° e 45°): Configuração predominante na mineração, britagem e indústria de granéis sólidos. Possui um rolo central horizontal de comprimento aproximado
B/3e dois rolos laterais inclinados a β. A calha a 35° é o padrão universal industrial que equilibra excelente capacidade volumétrica com boa flexibilidade transversal da carcaça da correia sem risco de fadiga por delaminação nas dobras.
- Distância Padrão à Borda Livre (dp): Para compensar oscilações de desalinhamento lateral transitório da correia, trepidação sobre cavaletes e variações instantâneas de alimentação, a norma adota a equação empírica:
dp = 0,055 × B + 0,9 [pol](com B em polegadas). Se a largura for 24",dp = 0,055 × 24 + 0,9 = 2,22"(≅ 56 mm). O granel nunca deve atingir a borda física da borracha. - Ângulo de Acomodação Dinâmico (α): Durante o percurso sobre os cavaletes, a correia sofre contínuas vibrações harmônicas que tendem a espalhar e nivelar o material. Por essa razão física, o ângulo de acomodação
αé sempre de 10° a 15° inferior ao ângulo de repouso natural estático medido em pilhas paradas no solo. - Capacidade Volumétrica Normalizada (Ctabela - Tabela 1-04): Volume teórico transportado a 1,0 m/s em correia perfeitamente horizontal, integrando a área
A = A₁ + A₂vezes o deslocamento unitário. - Fator de Redução por Inclinação (K - Tabela 1-03): Quando a esteira opera inclinada (ângulo
λ), a gravidade deforma a acomodação do material, reduzindo a seção útil. O fatorKvaria de1,00(horizontal) a0,71(para inclinações de até 24°). - Velocidade Linear Máxima (Vmax - Tabela 1-05): Limitada para prevenir desgaste por arraste, poeira suspensa e degradação da correia nas curvas e guias de carga.
- Granulometria Admissível (Tabela 1-06): Estabelece a dimensão máxima dos torrões e blocos para evitar bloqueios mecânicos e corte da carcaça.
1.2 Critério de Comparativo da Correia Instalada em Campo (Taxa de Ocupação da Calha)
Ao realizar uma auditoria de processo ou aumento de produção, compara-se a vazão requerida (Qreq) contra a capacidade máxima admissível da correia existente em campo (Qinst):
Taxa de Ocupação da Calha = (Qreq / Qinst) × 100%
Interpretação e Critérios de Aceitação:
- Ocupação ≤ 80% — Ótima / Conforme: Operação ideal com margem de segurança folgada (20% a 40%), prevenindo derramamentos mesmo durante picos momentâneos de alimentação.
- 80% < Ocupação ≤ 100% — Aceitável / Carga Plena: A esteira opera em seu limite de projeto. Requer alimentação centralizada homogênea e boa vedação de saias de borracha.
- Ocupação > 100% — Não Atende / Subdimensionada: Risco iminente de transbordamento contínuo, soterramento de cavaletes e quebra mecânica. Soluções: aumentar a velocidade (
V) ou aumentar a largura da correia.
1.3 Propriedades dos Materiais Transportados: Bagaço de Cana, Açúcar, Grãos e Minérios (Tabelas 1-01 e 1-02)
O dimensionamento volumétrico e a velocidade máxima admissível dependem diretamente das propriedades intrínsecas do material granel transportado, padronizadas nas Tabelas 1-01 e 1-02 do manual técnico:
- Sistema de Codificação CEMA / Técnico (Tabela 1-01):
- Tamanho / Granulometria (A a E): A = Muito fino (100 mesh); B = Fino (≤ 1/8"); C = Granular (≤ 1/2"); D = Em pedaços (> 1/2"); E = Irregular, fibroso e altamente agregável.
- Fluidez e Ângulo de Repouso (1 a 4): 1 = Muito fácil (< 19°); 2 = Fácil (20° a 29°); 3 = Médio (30° a 39°); 4 = Difícil (≥ 40°).
- Abrasividade (5 a 8): 5 = Não abrasivo; 6 = Abrasivo; 7 = Muito abrasivo; 8 = Muito cortante.
- Características Adicionais (L a Z): U = Higroscópico; V = Pegajoso/pastoso; X = Compactável; Y = Muito leve e fibroso; etc.
- Bagaço de Cana-de-Açúcar (Código E45Y):
- Classificação: Material irregular e fibroso (E), escoamento difícil com alto atrito interno (4 - repouso 45°), não abrasivo (5) e fibroso/entrelaçado (Y).
- Densidade Aparente (γ): Na literatura e na Tabela 1-02, o bagaço seco/solto varia de 0,10 a 0,20 t/m³ (média 0,15 t/m³ ou 7-10 lb/ft³). Nas usinas sucroalcooleiras brasileiras, o bagaço úmido que sai dos ternos de moenda/difusor (~50% de umidade) possui densidade típica entre 0,35 e 0,45 t/m³ (adotado 0,40 t/m³).
- Ângulo de Acomodação (α): Devido à retenção mecânica das fibras entrelaçadas, o ângulo dinâmico de acomodação na calha é de 25° (podendo chegar a 30° em correias calhadas a 35° ou 45°).
- Velocidade Recomendada: Por ser leve e não abrasivo, suporta velocidades elevadas (2,5 a 4,0 m/s), mas exige calha profunda (35° ou 45°) e capota corta-vento para evitar perdas por arraste aerodinâmico.
- Açúcar Cristal, Refinado e Bruto (Códigos B35PU, C35X e C26):
- Açúcar Refinado Granuloso Seco (B35PU): γ = 0,80 a 0,90 t/m³ (adotado 0,85 t/m³); repouso 30° a 44°; ângulo de acomodação na esteira α = 20°; não abrasivo; higroscópico (U).
- Açúcar Refinado Granuloso Úmido (C35X): γ = 0,90 a 1,00 t/m³ (adotado 0,95 t/m³); α = 20°; não abrasivo.
- Açúcar Bruto / VHP (Very High Polarization): Transportado em larga escala na cadeia sucroenergética e terminais portuários a granel. Densidade aparente média de 0,90 t/m³ e α = 20°.
- Açúcar da Polpa de Beterraba Seco (C26): γ = 0,20 t/m³; repouso 20° a 29°; ângulo de acomodação α = 10°; pouco abrasivo (código 6).
- Cana de Açúcar Verde e Picada:
- Cana Picada a Faca (E45V): γ = 0,20 a 0,30 t/m³ (0,25 t/m³); repouso 45°; α = 25°; não abrasiva.
- Cana Verde Inteira (B46TX): γ = 0,90 a 1,00 t/m³ (0,95 t/m³); repouso 45°; α = 25°; pouco abrasiva.
1.4 Tabelas Técnicas de Referência — Capacidade do Transportador (Manual Faço)
Abaixo estão consolidadas as tabelas normativas utilizadas para o cálculo de capacidade, área transversal da calha e limitações operacionais:
Tabela 1-03: Fator de Redução por Inclinação (K)
Fator empírico que reduz a capacidade volumétrica da correia em função do aclive ou declive longitudinal:
| Inclinação (°) | 0° a 2° | 3° a 5° | 6° a 8° | 9° a 11° | 12° a 14° | 15° a 17° | 18° a 20° | 21° a 24° |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Fator K | 1,00 | 0,98 | 0,95 | 0,91 | 0,87 | 0,83 | 0,78 | 0,71 |
Tabela 1-04: Capacidade Volumétrica Base (Ctabela em m³/h a V = 1,0 m/s)
Vazão para correia horizontal a 1,0 m/s conforme tipo e ângulo dos roletes (α = 20° acomodação padrão):
| Largura B | Plano (0°) | 2 Rolos (20°) | 3 Rolos (20°) | 3 Rolos (35°) Padrão | 3 Rolos (45°) Profundo |
|---|---|---|---|---|---|
| 16" (400 mm) | 18 m³/h | 28 m³/h | 32 m³/h | 42 m³/h | 46 m³/h |
| 20" (500 mm) | 31 m³/h | 48 m³/h | 55 m³/h | 73 m³/h | 80 m³/h |
| 24" (600 mm) | 48 m³/h | 74 m³/h | 85 m³/h | 113 m³/h | 125 m³/h |
| 30" (750 mm) | 82 m³/h | 125 m³/h | 145 m³/h | 193 m³/h | 212 m³/h |
| 36" (900 mm) | 126 m³/h | 192 m³/h | 222 m³/h | 295 m³/h | 326 m³/h |
| 42" (1050 mm) | 178 m³/h | 272 m³/h | 315 m³/h | 420 m³/h | 464 m³/h |
| 48" (1200 mm) | 242 m³/h | 368 m³/h | 426 m³/h | 568 m³/h | 628 m³/h |
| 54" (1400 mm) | 316 m³/h | 480 m³/h | 556 m³/h | 742 m³/h | 820 m³/h |
| 60" (1500 mm) | 400 m³/h | 608 m³/h | 705 m³/h | 940 m³/h | 1040 m³/h |
| 72" (1800 mm) | 600 m³/h | 910 m³/h | 1055 m³/h | 1410 m³/h | 1560 m³/h |
Tabela 1-05 e 1-06: Velocidades e Granulometrias Máximas Admissíveis
| Largura B | Vmax Granéis Leves (Grãos/Bagaço) | Vmax Granéis Abrasivos (Minério/Brita) | dmax Granulometria Homogênea | dmax Torrões Misturados (máx 10%) |
|---|---|---|---|---|
| 16" a 20" | 2,50 m/s | 1,50 m/s | 50 mm | 90 mm |
| 24" a 30" | 3,50 m/s | 2,30 m/s | 90 mm | 150 mm |
| 36" a 42" | 4,00 m/s | 2,80 m/s | 150 mm | 250 mm |
| 48" a 54" | 4,50 m/s | 3,20 m/s | 200 mm | 350 mm |
| 60" a 72" | 5,00 m/s | 3,80 m/s | 280 mm | 450 mm |
2.1 Dimensionamento de Potência pelo Método Prático Industrial (Nv, N1, Nh, Ng e Rendimento η)
O dimensionamento analítico de transportadores de correia decompõe a resistência total ao movimento em quatro parcelas fundamentais e independentes de potência efetiva:
Ne = V × (Nv + Ng) + (Q / 100) × (N1 ± Nh) [HP]
Onde as parcelas representam:
- Nv (Potência a Vazio): Trabalho necessário para vencer o atrito mecânico de rolamento dos roletes de carga e retorno, a flexão elástica contínua da correia de borracha e o atrito dos mancais dos tambores operando a uma velocidade base de
1,0 m/s, tabelado em função do comprimento entre centros (L) e da largura da correia (B). - N1 (Deslocamento Horizontal da Carga): Potência necessária para movimentar o fluxo de material horizontalmente para cada
100 t/hde capacidade, tabelado em função do comprimentoL. - Nh (Elevação Vertical da Carga): Trabalho estático gravitacional requerido para elevar a carga por uma altura vertical
H = L × sen(α):Nota técnica: Para esteiras descendentes (declive gerador), a parcelaNh = (Q × H) / 270 [HP]Nhatua a favor do movimento, subtraindo potência da equação. - Ng (Atrito em Guias Laterais / Saias de Vedação): Resistência adicional gerada pelo atrito do material contra as borrachas de vedação na zona de carregamento. Para trechos curtos de guias (
Lg ≤ 5 m), o atrito é desprezível (Ng = 0). Para trechos superiores a 5 m, calcula-se o acréscimo proporcional de atrito.
A potência nominal requerida do motor elétrico considera o rendimento mecânico da cadeia de transmissão:
N_motor = Ne / η [HP ou cv]Pe = Ne × 0,7457 [kW] | P_motor = N_motor × 0,7355 [kW]
O rendimento típico η varia conforme a tipologia do redutor: 0,94 para redutores de engrenagens helicoidais de eixos paralelos / shaft-mounted; 0,92 para redutor acoplado em base; 0,88 quando há transmissão intermediária por correias em V; e 0,75 para redutores de coroa e rosca sem-fim.
2.2 Potência Nominal de Placa vs. Potência Efetiva de Regime (Pplaca ≠ P)
Muitas vezes, ao calcular o contrapeso aplicando a potência total da placa do motor (ex: 15 cv ou 40 cv), o resultado teórico de Euler fica muito acima do contrapeso real do fabricante (podendo dar o dobro ou o triplo!). Isso ocorre por um motivo comercial clássico:
- Motores elétricos são comprados por catálogo comercial: A potência de catálogo precisa vencer o torque de partida da correia parada cheia de material e oferecer margem térmica.
- A esteira em regime consome muito menos: Uma esteira com motor de 40 cv (30 kW) pode consumir em regime contínuo apenas 9,5 kW (~13 cv).
- Consequência no Contrapeso: Se dimensionarmos o contrapeso pelos 30 kW plenos de placa, teremos um contrapeso de 1.070 kg! Mas para os 9,5 kW reais da carga de projeto, o contrapeso necessário é de apenas 365 kg.
2.3 Cinemática do Acionamento: Rotação, Relação de Redução e Torque no Tambor
A cinemática do acionamento conecta a rotação síncrona do motor elétrico à velocidade tangencial exigida pela correia transportadora:
- Rotação do Tambor Motriz (nt): Determinada pelo diâmetro externo do tambor (
Dt, em metros) e pela velocidade da correia (V, em m/s):Exemplo real: Parant = (60 × V) / (π × Dt) [rpm]V = 1,30 m/se tamborDt = 400 mm = 0,40 m⟹nt = (60 × 1,30) / (π × 0,40) = 62,1 rpm. - Relação de Redução Requerida (i): Relação entre a rotação nominal do motor (ex: motor de 4 polos a ~1750 rpm) e o tambor:
Exemplo:
i = n_motor / nt : 11750 / 62,1 = 28,2 : 1(redutor com redução próxima a 28:1). - Torque Nominal no Eixo do Tambor Motriz (Mt): Momento torsor que o eixo do tambor deve suportar continuamente em regime permanente:
Este torque dimensiona o eixo de saída do redutor, a chaveta e o acoplamento do tambor motriz.
Mt = (Ft × Dt) / 2 [kgf·m] = (716,2 × Ne) / nt [kgf·m]
Mt [N·m] = Mt [kgf·m] × 9,80665
2.4 Avaliação Dinâmica de Partida com Transportador Cheio (Rampa Suave vs Partida Direta)
A condição operacional mais crítica para o dimensionamento estrutural e vida útil da esteira ocorre durante a partida com o transportador completamente carregado (ex: religamento após desarme em carga ou parada de emergência).
Nesse instante, o sistema precisa vencer simultaneamente o atrito estático de regime e a inércia de aceleração de todas as massas em rotação e translação:
Massa Total Acelerada: Wt ≅ [2 × qb + qm + qr] × L [kg]Força Inercial de Aceleração: Facel = (Wt × V) / (g × ta) [kgf]Força de Partida na Correia: F_partida = Ft_regime + Facel [kgf]
Onde ta é o tempo de rampa de aceleração e g = 9,81 m/s².
Comparativo Técnico: Partida Direta (DOL) vs Soft-Starter / Inversor de Frequência:
| Modo de Partida | Tempo Aceleração (ta) | Pico de Torque / Tração | Impacto na Instalação |
|---|---|---|---|
| Partida Direta (DOL) Chave contactora simples |
Extremamente curto 1,5 a 3,0 s |
Pico severo de torque 180% a 250% (1,8x a 2,5x) |
Golpe de aríete dinâmico na correia; risco de ruptura da emenda vulcanizada; tranco nos dentes do redutor; sobretensão na rede elétrica. |
| Soft-Starter / Inversor Rampa eletrônica ajustada |
Controlado e suave 8,0 a 15,0 s |
Torque limitado controlado 120% a 140% (1,2x a 1,4x) |
Preserva emendas da correia; aceleração homogênea sem esticamento brusco; máxima vida útil das engrenagens e rolamentos do redutor. |
2.5 Freio Contra-Recuo (Backstop): Critério de Necessidade e Torque de Travamento
O freio contra-recuo (Backstop) é um componente de segurança crítica instalado no contra-eixo do redutor ou no eixo motriz do tambor. Sua função é permitir o movimento livre no sentido normal de transporte e travar instantaneamente qualquer tendência de giro retrógrado quando o motor é desenergizado.
Quando o Contra-Recuo é Obrigatório?
Em transportadores inclinados ascendentes (α > 0), a carga depositada sobre a correia exerce uma força gravitacional contínua puxando o conjunto para trás. O contra-recuo é indispensável sempre que a força de elevação superar as forças resistentes de atrito:
Condição de Recuo Espontâneo: Q_carga × H > Resistência_atrito_vazio
Na prática de engenharia, para correias com inclinação superior a 2,5° a 3,0°, a gravidade supera o atrito estático. Se o motor for desligado sem contra-recuo, todo o material descerá em avalanche em direção à caçamba traseira, causando soterramento do chute, quebra de cavaletes e grave risco à segurança dos operadores.
Dimensionamento do Torque Estático de Retenção (Zc):
Zc = 1,5 × [(Q / 100) × Nh - V × Nv] × [716,2 / nt] [kgf·m]
O torque estático especificado do dispositivo de contra-recuo deve ser selecionado no catálogo do fabricante com um fator de segurança de no mínimo FS ≥ 1,5 em relação ao torque de recuo da carga plena instalada.
2.5 Tabelas Técnicas de Referência — Potência & Acionamento (Manual Faço)
Parâmetros e tabelas fundamentais utilizados no cálculo analítico da potência efetiva (Ne), fatores de atrito e perdas mecânicas:
Tabela 1-14: Fator de Atrito e Resistência ao Deslocamento (Fx)
Representa o atrito dos roletes e da flexão da correia em função do comprimento entre centros (L):
| Distância L (m) | 10 m | 20 m | 30 m | 50 m | 75 m | 100 m | 150 m | 200 m | ≥ 300 m |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Fator Fx | 0,035 | 0,030 | 0,028 | 0,025 | 0,023 | 0,022 | 0,020 | 0,019 | 0,018 |
Tabela 1-17: Comprimento Fictício Adicional dos Tambores (L0)
Compensação em metros de esteira equivalente para perdas por atrito nos mancais dos tambores e raspadores:
| Largura B | 16" a 20" | 24" a 30" | 36" a 42" | 48" a 54" | 60" a 72" |
|---|---|---|---|---|---|
| L0 Padrão (2 tambores) | 30 m | 40 m | 50 m | 65 m | 80 m |
| Por Tambor Adicional (Desvio/Esticador) | + 6 m | + 8 m | + 10 m | + 13 m | + 16 m |
Tabela 1-20: Fatores de Potência por Guias de Carga e Raspadores (Ng e Nr)
| Largura da Correia | 16" a 24" | 30" a 36" | 42" a 48" | 54" a 60" | 72" |
|---|---|---|---|---|---|
| Ng por Metro de Guia de Carga (HP/m) | 0,050 | 0,075 | 0,100 | 0,130 | 0,180 |
| Nr por Raspador de Borracha (HP) | 0,30 | 0,50 | 0,80 | 1,10 | 1,60 |
Tabela 1-34: Rendimento Mecânico Típico das Transmissões (η)
| Tipo de Transmissão / Redutor | Rendimento (η) | Descrição Técnica |
|---|---|---|
| Redutor de Engrenagens Helicoidais (Eixos Paralelos) | 0,94 a 0,96 | 2 estágios com mancais de rolamentos de alta eficiência. |
| Redutor de Eixos Ortogonais (Cônico-Helicoidal) | 0,92 a 0,94 | Padrão em acionamentos compactos perpendiculares à esteira. |
| Acoplamento Hidráulico (Fluido) | 0,95 a 0,97 | Perda por escorregamento hidrodinâmico em regime pleno. |
| Transmissão por Correias em V (Motor ao Redutor) | 0,93 a 0,95 | Requer manutenção periódica de alinhamento e tensão. |
3.1 O que é a Força Tangencial do Acionamento (Ft) e Fontes da Potência Efetiva
A força tangencial Ft (ou Te) representa o esforço periférico efetivo transmitido pelo motor elétrico à correia através do tambor de acionamento para movimentar o transportador e sua carga.
Ft = (102 × P) / V [kgf] ou Te = (75 × Ne) / V [kgf]
Origem da constante 102 e 75:
- 1 kW equivale a 1000 Joules/s = 1000 N·m/s. Com g = 9,80665 m/s² ⟹ 1000 / 9,80665 ≅ 101,97 ≅ 102 kgf·m/s por kW.
- 1 HP / cv equivale a 75 kgf·m/s ⟹
(75 × Ne) / V.
Fontes para Obtenção da Potência Efetiva (P) no Sistema:
- Fonte 1 — Método Prático Industrial (Padrão Recomendado): Baseado nas parcelas paramétricas
Nv(vazio),N1(horizontal),Nh(elevação vertical) eNg(guias laterais). Reflete a demanda analítica real do transportador. - Fonte 2 — Cálculo Analítico CEMA / DIN 22101: Decomposição física exata da gravidade no plano inclinado (
H = L × sen(α)) e atrito dinâmico dos roletes de carga e retorno. - Fonte 3 — Potência Efetiva de Regime (Taxa de Carregamento): Estimativa da potência absorvida real a partir de uma porcentagem da placa do motor (ex: 25% a 60% para motores superdimensionados).
- Fonte 4 — Potência Plena de Placa (100% Motor): Adota 100% da potência elétrica de catálogo instalada (abordagem conservadora de segurança máxima).
3.2 A Equação de Euler e a Relação de Tensões Críticas (T1 / T2)
Para que o tambor consiga tracionar a correia sem escorregar (patinar), deve haver uma tensão mínima no lado de saída da correia (T2, lado frouxo). O físico Leonhard Euler estabeleceu a equação fundamental de atrito de correias flexíveis em tambores:
T1 / T2 = e^(μ × θ)
Onde:
- T1: Tensão no lado tenso da correia (lado que chega no tambor motor).
- T2: Tensão no lado frouxo da correia (lado que sai do tambor motor).
- e: Base dos logaritmos naturais (≅ 2,71828).
- μ: Coeficiente de atrito entre o revestimento do tambor e a correia de borracha.
- θ: Ângulo de abraçamento (arco de contato entre a correia e o tambor) em radianos.
3.3 Dedução Passo a Passo das Tensões T2 e T1
Do equilíbrio de forças do acionamento, sabemos que a força útil transferida é a diferença entre as duas tensões:
Ft = T1 - T2
Substituindo T1 = e^(μθ) × T2 na equação acima:
Ft = [e^(μθ) - 1] × T2 ⟹ T2 = Ft / [e^(μθ) - 1]
Assim, uma vez obtido T2, calcula-se imediatamente T1:
T1 = e^(μθ) × T2 (ou T1 = Ft + T2)
3.4 Por que o Contrapeso Total G é igual a 2 × T3?
Em um esticador por gravidade convencional (vertical ou horizontal), o tambor tensor é mantido em suspensão por duas pernas paralelas da correia transportadora:
G = T3_esquerda + T3_direita = 2 × T3
Como o tambor tensor está posicionado no trecho de retorno logo após o acionamento, a tensão na correia nesse ponto é aproximadamente igual à tensão do lado frouxo T2 (ou seja, T3 = T2).
Logo, o contrapeso teórico total requerido é:
G_teórico = 2 × T2
3.5 A Física da Inclinação e o Desnível Vertical no Lado de Carga
Em transportadores inclinados em aclive, a inclinação responde pela maior parcela da força requerida no acionamento. O cálculo da força tangencial real envolve:
Desnível Vertical: H = L_cc × sen(α)
Onde L_cc é a distância centro a centro e α é o ângulo de inclinação.
A carga linear de material transportado sobre a correia é obtida a partir da capacidade:
qm = (Capacidade [t/h] × 1000) / (3600 × V [m/s]) [kg/m]
A força necessária puramente para erguer a carga é:
F_elevação = qm × H [kgf]
Enquanto a resistência ao atrito dos roletes ao longo do comprimento é atenuada pelo cosseno da inclinação:
F_atrito = f × L_cc × cos(α) × (2×qb + qm + q_roletes) [kgf]
3.6 Efeito Gravitacional da Correia Inclinada no Retorno (Alívio de T3)
Um dos erros mais comuns em livros didáticos básicos de mecânica é assumir que a tensão no tambor tensor é igual à tensão no lado frouxo do acionamento (T3 = T2). Isso só é verdade para esteiras rigorosamente horizontais!
Em transportadores inclinados em aclive com acionamento na cabeça e esticador por gravidade posicionado no retorno (torre vertical ou cauda), a física da Norma CEMA e DIN 22101 estabelece:
- Tensão T2 no Tambor Motriz (Cabeça): Calculada pela equação de Euler para garantir que a correia não patine sob torque:
T2 = Ft / (e^(μθ) - 1). No nosso transportador de 40 cv / 64 m / 13,5° em regime analítico de 120 t/h (Ft = 715 kgf), temos: T2 = 274 kgf. - Ação Gravitacional no Retorno Descendente: A correia vazia (qb = 8,5 kg/m) desce a rampa de 13,5°. Essa massa de correia inclinada atua como um tensionador natural permanente puxando morro abaixo:
Substituindo com L_ret ≈ 51,2 m (80% do percurso até a torre tensora), α = 13,5° e f = 0,022:
ΔT_ret = qb × L_ret × [sen(α) - f_rolete × cos(α)] [kgf]ΔT_ret = 8,5 × 51,2 × [0,2334 - 0,022 × 0,9824] = 435,2 × 0,2118 ≅ 91,5 kgf - Tensão Necessária no Tambor Tensor (T3): Como a gravidade da correia já fornece 91,5 kgf de tração descendo o morro, o contrapeso só precisa fornecer a diferença para manter os 274 kgf lá em cima no tambor motriz:
T3 = T2 - ΔT_ret = 274 - 91,5 = 182,5 kgf ≅ 183 kgf - Contrapeso Teórico Mínimo Necessário (G): Como o carrinho tensor é sustentado por 2 pernas de correia (relação 2:1):
G_teórico = 2 × T3 = 2 × 182,5 = 365 kgf (Exatamente igual ao projeto do fabricante!)
G = 2 × T2, calculará G = 2 × 274 = 548 kg! Isso gera um superdimensionamento de 50%, sobrecarregando desnecessariamente os rolamentos dos tambores, eixos e a emenda da correia.
3.7 Critério CEMA de Flecha Máxima entre Roletes (Sag Admissível de 2% a 3%)
O contrapeso não tem apenas a função de impedir que o tambor motriz patine; ele também é responsável por manter a correia esticada entre os cavaletes de roletes.
Pela norma CEMA, a flecha máxima admissível (catena) da correia entre dois cavaletes consecutivos sob carga máxima não deve exceder 1,5% a 2,0% do vão entre roletes (geralmente 1,0 m a 1,2 m):
T_mín,flecha = [a0 × (qb + qm)] / [8 × (y / a0)] [kgf]
Se o contrapeso for excessivamente leve, a correia "embarrigará" entre os roletes, provocando vazamento de material pelas saias de vedação, vibração e aumento violento da resistência ao rolamento.
3.8 Engenharia Reversa do Contrapeso do Fabricante
Quando você possui apenas o desenho físico do contrapeso do fabricante (ex: G = 365 kgf ou G = 400 kgf), você pode fazer o caminho inverso para descobrir exatamente qual foi a potência de projeto adotada:
- Obtenha a tensão no tambor tensor:
T3 = G / 2(ex: 365 / 2 = 182,5 kgf). - Some o alívio gravitacional do retorno se houver inclinação:
T2 = T3 + ΔT_ret(ex: 182,5 + 91,5 = 274 kgf, ou 300 kgf adotado pelo fabricante). - Calcule a força tangencial correspondente por Euler:
Ft = (e^(μθ) - 1) × T2(ex: 2,61 × 274 = 715 kgf). - Calcule a potência líquida de projeto:
P = (Ft × V) / 102 [kW](ex: (715 × 1,30) / 102 = 9,11 kW ≅ 12,4 cv).
3.9 Como Calcular o Peso Próprio da Correia (qb) e Catálogo de Correias
O peso próprio linear da correia (qb, medido em kg/m) é determinado pela sua largura física e pela sua estrutura interna, composta por duas camadas de coberturas de borracha e pela carcaça têxtil ou de cabos de aço:
- Cobertura Superior (Carga): Protege a correia contra impacto, corte e abrasão do material (ex: 3/16" = 4,76 mm ou 1/4" = 6,35 mm).
- Cobertura Inferior (Tambor): Protege a correia no contato com os tambores de acionamento e roletes de retorno (ex: 1/8" = 3,18 mm ou 1/16" = 1,58 mm).
- Carcaça Resistente: Suporta a tração longitudinal. É formada por lonas de poliéster-nylon (PN / EP) ou cabos de aço longitudinais (ST).
Fórmula Analítica de Cálculo (Norma ABNT NBR 6157 / DIN 22102):
Espessura Total de Borracha: e_borracha = e_superior + e_inferior [mm]Massa das Coberturas: M_borracha = e_borracha × 1,15 [kg/m²]Massa Total por Metro Quadrado: M_total = M_borracha + M_carcaça [kg/m²]Peso Linear: qb = M_total × Largura_correia [m] [kg/m]
Exemplo Real da Nossa Correia de 24" (ETC01 / ETC02):
- Largura: 24" = 0,610 m
- Capas: 3/16" (4,76 mm) + 1/8" (3,18 mm) ⟹ e_borracha = 7,94 mm
- Massa das capas: 7,94 × 1,15 = 9,13 kg/m²
- Massa da carcaça 3 lonas PN 2200 + ligantes: 4,77 kg/m²
- Massa total: 9,13 + 4,77 = 13,90 kg/m²
- qb = 13,90 kg/m² × 0,610 m = 8,48 ≅ 8,50 kg/m
Tabela Técnica de Referência da Engenharia (kg/m por Largura):
| Construção / Carcaça | Capas (Sup × Inf) | Massa (kg/m²) | 16" | 20" | 24" | 30" | 36" | 42" | 48" |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2 Lonas PN 1500 (Leve) | 1/8" × 1/16" (4,8 mm) | 9,5 kg/m² | 3,8 | 4,8 | 5,8 | 7,2 | 8,6 | 10,1 | 11,5 |
| 3 Lonas PN 2200 (Padrão) | 3/16" × 1/8" (7,9 mm) | 13,9 kg/m² | 5,6 | 7,1 | 8,5 | 10,6 | 12,7 | 14,8 | 17,0 |
| 4 Lonas PN 3000 (Pesada) | 1/4" × 1/8" (9,5 mm) | 18,3 kg/m² | 7,4 | 9,2 | 11,2 | 14,0 | 16,8 | 19,6 | 22,4 |
| 4 Lonas PN 4000 (Severo) | 5/16" × 1/8" (11,1 mm) | 22,1 kg/m² | 8,9 | 11,1 | 13,5 | 16,9 | 20,3 | 23,6 | 27,0 |
| Cabo de Aço ST 1000 | 6 + 4 mm (10 mm) | 29,5 kg/m² | 12,0 | 15,0 | 18,0 | 22,5 | 27,0 | 31,5 | 36,0 |
3.10 Como Interpretar os Resultados e Índices de Atendimento de Projeto
| Status | Faixa de Atendimento | Diagnóstico Técnico |
|---|---|---|
| ✅ CONFORME | ≥ 98% a 105% | Tensão correta. Contrapeso atende perfeitamente à especificação sem risco de patinagem nem sobrecarga. |
| ⚠️ ALERTA | 90% a 97% | Contrapeso no limite mínimo. Pode funcionar com esteira vazia, mas corre risco de patinar na partida com carga máxima ou chuva. |
| ❌ SUBDIMENSIONADO | < 90% | Tensão perigosamente insuficiente. Correia patinará, queimando a carcaça de borracha do tambor e causando paradas. Adicionar blocos imediatamente. |
3.4 Tabelas Técnicas de Referência — Esticador & Contrapeso (Tensionamento de Euler)
Parâmetros normalizados para cálculo do coeficiente de atrito (μ), relação de Euler e alívio gravitacional:
Tabela: Coeficiente de Atrito Tambor-Correia (μ)
| Superfície do Tambor | Condição Seca | Condição Úmida / Molhada | Recomendação Técnica |
|---|---|---|---|
| Aço Liso Polido | μ = 0,25 a 0,30 | μ = 0,15 a 0,20 | Evitar em tambores motrizes de transportadores industriais com pó. |
| Revestimento de Borracha Lisa | μ = 0,35 | μ = 0,25 a 0,30 | Bom para serviços leves e tambores de retorno com acionamento secundário. |
| Revestimento de Borracha Ranhurada (Espinha de Peixe / Losango) | μ = 0,35 a 0,40 | μ = 0,30 a 0,35 | Padrão industrial: expulsa água e lama pelas ranhuras angulares. |
| Revestimento Cerâmico com Pastilhas | μ = 0,45 | μ = 0,40 | Alta resistência à abrasão para mineração severa e correias de alta tensão. |
Tabela: Relação de Euler T1/T2 = e^(μθ) e Fator K
| Ângulo de Abraçamento (θ) | 180° (π rad) | 200° (3,49 rad) | 210° (3,67 rad) [Padrão] | 220° (3,84 rad) | 240° (4,19 rad) |
|---|---|---|---|---|---|
| e^(μθ) para Borracha Ranhurada (μ = 0,35) | 3,00 | 3,39 | 3,61 | 3,84 | 4,33 |
| Fator K = 1 / [e^(μθ) - 1] | 0,50 | 0,42 | 0,38 | 0,35 | 0,30 |
| e^(μθ) para Tambor Liso (μ = 0,25) | 2,19 | 2,40 | 2,50 | 2,62 | 2,85 |
| Fator K (Liso) | 0,84 | 0,71 | 0,67 | 0,62 | 0,54 |
Tabela: Posição do Esticador e Efeito Gravitacional no Ramo de Retorno
| Posição do Esticador | Fórmula de T3 | Peso Teórico G | Vantagens e Aplicação |
|---|---|---|---|
| Esticador na Cabeça (Junto ao Acionamento) | T3 ≅ T2 |
G = 2 × T2 |
Ação direta junto ao tambor motriz. Não aproveita o alívio de desnível do retorno. |
| Esticador no Pé / Cauda (Tambor de Retorno Móvel) | T3 = T2 - qb × H + Fr_ret |
G = 2 × T3 |
Muito compacto. Em esteiras inclinadas, a gravidade da correia no retorno ajuda a tensionar a cabeça. |
| Esticador Gravitacional Vertical Central | T3 = T2 - qb × H_parcial |
G = 2 × T3 |
Excelente para transportadores longos (> 50 m) com curso livre para dilatação térmica. |
4.1 Cargas Lineares, Atrito de Retorno e Tensão Mínima contra Flecha (T0)
Na metodologia do Manual Faço (pág. 1.47), a análise de tensões da correia requer a determinação rigorosa das seguintes grandezas lineares ao longo do percurso:
Wm = 0,277 × (Q / V) [kgf/m] | Fr = 0,015 × L × Wb [kgf]
Onde Wm é o peso do material por metro linear de correia carregada, Q é a vazão em t/h e V é a velocidade linear em m/s. O peso médio da correia Wb é obtido pela Tabela 1-27 em função da largura:
- 16": 5,2 kgf/m | 20": 6,5 kgf/m | 24": 7,7 kgf/m | 30": 11,9 kgf/m | 36": 14,3 kgf/m
- 42": 17,7 kgf/m | 48": 20,2 kgf/m | 54": 26,8 kgf/m | 60": 29,8 kgf/m | 72": 35,7 kgf/m | 84": 41,6 kgf/m
Tensão Mínima para Controle da Flecha (T0): Para evitar que a correia sofra abaulamento excessivo entre dois cavaletes consecutivos de carga (espaçamento a), gerando trepidação do granel e perda de potência, a norma Faço define a tensão mínima admissível:
T0 = 6,25 × (Wm + Wb) × a [kgf] (Critério padrão de 2,0% de flecha máxima)
Para transportadores que exigem flecha de 3%, utiliza-se constante 4,17, e para 1% utiliza-se 12,50.
4.2 Fator de Abraçamento K e Atrito Tambor-Correia (Tabelas 1-28 e 1-29)
O fator K representa a relação de transmissão por atrito entre o tambor motriz e a correia flexível (pág. 1.48):
K = 1 / [e^(0,0174 · θ · μ) - 1]
Conforme a Tabela 1-28, para esticadores por gravidade automáticos:
- Tambor Revestido de Borracha (μ = 0,35): 180° ⟹ K = 0,50 | 200° ⟹ K = 0,42 | 210° ⟹ K = 0,38 | 220° ⟹ K = 0,35 | 240° ⟹ K = 0,30 | Dual 380° ⟹ K = 0,11
- Tambor de Aço Liso (μ = 0,25): 180° ⟹ K = 0,84 | 210° ⟹ K = 0,66 | 240° ⟹ K = 0,54
- Esticador por Parafuso (Rígido): Requer valores de K sensivelmente maiores (ex: 0,80 a 1,20 a 180°) devido à incapacidade de compensação automática de dilatações térmicas e assentamento elástico das lonas.
4.3 Arranjos de Tração e Fórmulas Analíticas (Casos 1 a 6 — págs. 1.49 a 1.51)
O manual detalha os 6 arranjos clássicos de tração na indústria. No arranjo mais comum (Caso 1: Horizontal ou Aclive com Acionamento na Cabeça), as tensões são governadas pelo confronto entre duas condições físicas:
Fórmula (A) - Atrito de Euler: T1 = (1 + K)·Te | T2 = K·Te | T3 = K·Te + Fr - H·WbFórmula (B) - Flecha Mínima T0: T1 = Te + T0 + H·Wb - Fr | T2 = T0 + H·Wb - Fr | T3 = T0
Critério Governante de Engenharia:
- Se
T3(A) ≥ T0, a tensão natural do retorno decorrente de Euler é suficiente para controlar a flecha ⟹ Fórmula (A) governa. - Se
T3(A) < T0, a tensão do retorno seria insuficiente e a correia cederia entre roletes. É obrigatório elevar T3 paraT0, propagando a sobretensão para T2 e T1 ⟹ Fórmula (B) governa.
4.4 Dimensionamento da Carcaça, Lonagem e Verificação de Fator de Segurança
A resistência mecânica da correia é dada pela carcaça têxtil ou de aço (págs. 1.53 e 2.118 a 2.123):
Tad = Tu × B × nl [kgf] ou Tad = Capacidade_cm × (B × 2,54) [kgf]Fator de Segurança: FS = Tad / T1_max ≥ 1,00 (Em regime contínuo)
Para emendas vulcanizadas a quente, a carcaça atinge 100% da resistência nominal. Para emendas mecânicas por grampos, a capacidade sofre redução de 20% a 25%.
Diâmetros Mínimos de Tambores (Tabelas 2-45 e 2-51): A correia exige tambores de diâmetro compatível com a rigidez das lonas e a tensão percentual (% Tad). Tambores subdimensionados provocam fadiga prematura da borracha de ligação e descolamento entre lonas (delaminação).
4.5 Tabelas Técnicas de Referência — Tensão, Carcaça & Lonas (Manual Faço)
Tabelas utilizadas na determinação de pesos próprios, capacidades de carga admissível das lonas sintéticas e compatibilidade mecânica dos tambores:
Tabela 1-27: Peso Próprio Médio da Correia (Wb em kgf/m)
| Largura B | 16" | 20" | 24" | 30" | 36" | 42" | 48" | 54" | 60" | 72" | 84" |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Wb Médio (kgf/m) | 5,2 | 6,5 | 7,7 a 8,5 | 11,9 | 14,3 | 17,7 | 20,2 | 26,8 | 29,8 | 35,7 | 41,6 |
Tabela 2-35: Especificação das Carcaças Têxteis de Poliéster/Nylon (PN)
| Tipo de Lona Sintética | Tensão Admissível Tad (kgf/cm·lona) | Tensão Última de Ruptura Tu (kgf/cm·lona) | Fator de Segurança Mínimo (FS) | Aplicação Típica |
|---|---|---|---|---|
| PN 150 (EP 150) | 15,0 | 150,0 | ≥ 10,0 | Serviços leves a médios, cereais, cavaco de madeira. |
| PN 200 (EP 200) | 20,0 | 200,0 | ≥ 10,0 | Mineração leve, britagem primária/secundária, biomassa. |
| PN 2200 (Padrão Usinas) | 22,0 | 220,0 | ≥ 10,0 | Padrão em usinas de açúcar/álcool, celulose e papel. |
| PN 250 (EP 250) | 25,0 | 250,0 | ≥ 10,0 | Granéis pesados, areia, brita, clinquer e fertilizantes. |
| PN 315 (EP 315) | 31,5 | 315,0 | ≥ 10,0 | Minério de ferro, bauxita, calcário, longas distâncias. |
| PN 400 (EP 400) | 40,0 | 400,0 | ≥ 10,0 | Alta tensão de tração, transportadores de mina e portos. |
Tabela: Diâmetros Mínimos Recomendados dos Tambores para Lonas PN (mm)
Diâmetro externo mínimo para prevenir descolamento entre lonas e quebra de emenda:
| Classe de Lona e Camadas | Tambor Motriz (> 60% Tad) | Tambor Motriz (≤ 60% Tad) | Tambor de Retorno / Cauda | Tambor de Encosto / Desvio (Snub) |
|---|---|---|---|---|
| 2 Lonas PN 150 | 315 mm | 250 mm | 250 mm | 200 mm |
| 3 Lonas PN 200 / PN 2200 | 400 mm | 315 mm | 315 mm | 250 mm |
| 4 Lonas PN 200 / PN 2200 | 500 mm | 400 mm | 400 mm | 315 mm |
| 3 Lonas PN 315 | 500 mm | 400 mm | 400 mm | 315 mm |
| 4 Lonas PN 315 | 630 mm | 500 mm | 500 mm | 400 mm |
| 4 Lonas PN 400 | 800 mm | 630 mm | 630 mm | 500 mm |
5.1 Geometria Básica e Padronização Dimensional dos Tambores (Tabela 1-44 Faço)
Ao se dimensionar um tambor industrial de correia (motriz, retorno, esticador ou desvio), as grandezas geométricas padronizadas são obtidas pela Tabela 1-44 (pág. 1.88 do manual):
- Diâmetro do Tambor (D): Definido pela classe da carcaça e pelo número de lonas para evitar fadiga prematura da borracha e emendas.
- Comprimento da Face (A): Geralmente
A = B + 2" (50 mm)para correias até 42", ouA = B + 6" (150 mm)para larguras superiores. - Distância entre Centros de Mancais (L): Distância padronizada
m1entre as linhas de centro dos dois mancais de apoio. - Distância entre Discos Laterais (C): Distância entre as faces externas dos cubos fixados ao corpo cilíndrico.
- Braço de Alavanca do Mancal ao Cubo (a): O balanço que gera a flexão no eixo é dado por
a = (L - C) / 2.
5.2 Avaliação Vetorial de Cargas: Tensões T1, T2, Peso Próprio e Carga Radial P
As tensões na correia não atuam de forma colinear, mas sim tangencialmente ao tambor sob seus respectivos ângulos de entrada (α1) e saída (α2). A resultante é obtida pela decomposição cartesiana (pág. 1.58):
Px = T1 × cos(α1) + T2 × cos(α2) [kgf]Py = T1 × sin(α1) + T2 × sin(α2) - Wt [kgf] (considerando o peso próprio Wt vertical para baixo)Carga Radial Total: P = √(Px² + Py²) [kgf] | Ângulo da Resultante: αR = arctg(Py / Px)
Carga em Cada Mancal de Apoio: Como o tambor é simétrico entre os mancais A e B, a carga radial em cada rolamento é:
RA = RB = Fr_mancal = P / 2 [kgf]
5.3 Dimensionamento do Eixo à Flexo-Torção e Fadiga Cíclica (Tabela 1-30 Faço)
O eixo de um tambor motriz gira sob flexão cíclica alternada (fadiga a cada rotação) combinada com torção contínua:
Momento Fletor: Mf = (P / 2) × a = (P / 2) × [(L - C) / 2] [kgf·cm]Momento Torsor: Mt = (T1 - T2) × (D / 2) = (102 × Pe / V) × (D / 2) [kgf·cm] (Mt = 0 para tambores movidos)Momento Ideal Composto (Faço 1.59): Mi = √[(Kf × Mf)² + (Kt × Mt)²] com Kf = 1,5 e Kt = 1,0
O diâmetro mínimo do eixo na seção crítica do cubo e do mancal é calculado pela tensão admissível (Tabela 1-30):
d_mín = ³√[ (16 × Mi) / (π × σadm) ] [cm]
- Aço SAE 1020: σadm = 420 kgf/cm² (c/ chaveta) | 560 kgf/cm² (s/ chaveta)
- Aço SAE 1040: σadm = 560 kgf/cm² (c/ chaveta) | 750 kgf/cm² (s/ chaveta)
- Aço SAE 4340: σadm = 700 kgf/cm² (c/ chaveta) | 930 kgf/cm² (s/ chaveta)
5.4 Critério Rígido de Flecha Máxima Admissível no Eixo (f ≤ L/1500)
Mesmo que o eixo resista às tensões de ruptura e fadiga, a sua deformação elástica (flecha) não pode ultrapassar os limites rigorosos estabelecidos pelo Manual Faço (pág. 1.60):
f = [P × Ks × (L - C) × (2L² + 2LC - C²)] / [48 × E × J] [cm]Onde: Ks = 1,5 (coeficiente de serviço) | E = 2,1 × 10⁶ kgf/cm² | J = (π × d⁴) / 64 [cm⁴]
Limites Admissíveis Normativos:
- Correias com largura até 54":
f_adm = L / 1500 - Correias com largura acima de 54":
f_adm = L / 2000
Uma flecha excessiva causa inclinação angular do munhão dentro do mancal, gerando concentração de tensões nos cantos dos rolos do rolamento, aquecimento anormal e destruição prematura da pista de rolamento.
5.5 Dimensionamento de Rolamentos Autocompensadores de Rolos e Vida Nominal L10h
Os tambores de correia trabalham sob condições de poeira intensa, vibração e cargas elevadas. Por essa razão, a engenharia mundial e a Faço padronizam exclusivamente rolamentos autocompensadores de rolos de duas carreiras (Séries 222xx e 223xx), alojados em caixas de mancal bipartidas (Séries SNL / SMR com vedação taconita/labirinto).
Cálculo da Vida Útil pela Norma ISO 281 / CEMA:
Carga Dinâmica Equivalente: P_eq = Fr + Y × Fa [kgf] (com Fa residual ≈ 0,05 × Fr)Vida Nominal L10h: L10h = [10⁶ / (60 × n)] × (Cr / P_eq)^(10/3) [horas]Rotação do Tambor: n = (60 × V) / (π × D) [rpm]
O critério mínimo aceitável para operação contínua industrial (regime 24/7) é de 50.000 horas de vida útil (equivalente a aproximadamente 6 anos ininterruptos). Projetos de mineração severa recomendam 100.000 horas.
5.6 Fundamentação Teórica: De Onde Vêm as Cargas Atuantes vs. Capacidades de Catálogo e a Importância da Folga C3
• As Cargas Atuantes no Tambor NÃO São Tabeladas: Elas resultam da decomposição vetorial trigonométrica das forças reais da correia (tensão de entrada T1, tensão de saída T2, respectivos ângulos de inclinação α1 e α2) combinadas vetorialmente com o peso próprio do tambor (Wt). O esforço resultante radial
P = √(Px² + Py²) e as reações nos mancais RA = RB = P / 2 são calculados sob medida para cada esteira.• As Capacidades do Rolamento SÃO Tabeladas: A capacidade dinâmica de carga (
Cr) e a capacidade estática (C0r) são valores nominais padronizados de catálogo conforme as normas internacionais ISO 281 e ISO 76, testados em bancada laboratorial por fabricantes renomados (SKF, FAG, Schaeffler, NSK, Timken).
1. Por que Rolamento Autocompensador de Dupla Carreira de Rolos (e NUNCA de Esferas)?
Os tambores de correias transportadoras operam sob cargas radiais extremamente severas (toneladas de tração contínua) combinadas com flexão elástica natural do eixo de rotação. Rolamentos rígidos de esferas falhariam rapidamente por concentração de tensão nos pontos de contato. Por isso, a norma CEMA e o Manual Faço padronizam exclusivamente Rolamentos Autocompensadores de Dupla Carreira de Rolos (Séries 222xx e 223xx):
- Geometria dos Rolos: Possuem duas carreiras de rolos em formato de barril que rolam sobre uma pista externa esférica contínua.
- Capacidade de Autocompensação Angular: Suportam deflexão angular do eixo de 1,5° a 2,5° sem aumentar o atrito interno nem provocar sobretensão nos cantos dos rolos, acomodando perfeitamente a flecha elástica do eixo em carga plena.
- Resistência à Fadiga: A área de contato linear dos rolos oferece capacidade de carga dinâmica (Cr) de 3 a 5 vezes superior à de um rolamento de esferas de mesmo diâmetro.
2. Por que Folga Radial Interna C3 e a Prática de Montagem em Campo?
A folga interna inicial de um rolamento novo sem montagem é classificada em Normal (CN), C3 (maior que a normal) ou C4. Na manutenção e montagem de tambores de esteiras, a especificação mandatória é a Folga C3 pelos seguintes motivos mecânicos:
- Expansão Radial durante o Aperto da Bucha Cônica: Ao montar um rolamento de furo cônico (1:12) sobre a bucha de fixação (Série HE 3xx ou HE 23xx), o técnico aperta a porca KM. Ao subir pela rampa cônica, o anel interno do rolamento é tracionado e expande radialmente, consumindo gradualmente a folga interna entre os rolos e a pista externa.
- Ajuste Prático em Campo com Calibrador de Lâminas (Feeler Gauge): Os montadores em campo medem a folga inicial entre o rolo mais alto e a pista externa com lâminas apalpadoras. À medida que a porca da bucha é apertada, o técnico confere a redução de folga recomendada pelo fabricante (ex: para rolamento 22238, folga C3 inicial de 0,160 a 0,220 mm é reduzida em 0,075 a 0,090 mm, restando uma folga residual operacional de 0,085 a 0,130 mm).
- Prevenção de Travamento por Dilatação Térmica: Se fosse utilizado um rolamento com folga normal (CN), o aperto da bucha deixaria o rolamento praticamente com folga zero. Quando o equipamento entrasse em rotação e aquecesse, a dilatação do anel interno provocaria pré-carga radial excessiva, superaquecimento rápido, quebra da gaiola e engripamento catastrófico.
3. Nomenclatura Normativa e Sufixos de Fabricação (SKF / FAG)
| Tipo de Fixação | Designação Completa | Furo | Caixa de Mancal | Fixação no Eixo | Lubrificação |
|---|---|---|---|---|---|
| Mancal Bipartido com Bucha de Fixação | 222xx CCK/C3W33 ou 223xx CCK/C3W33 | Cônico 1:12 (Sufixo K) | SNL 5xx / SD 31xx | Bucha HE 3xx (com porca KM e arruela MB) | W33: canal e 3 furos de engraxamento no anel externo |
| Mancal com Assento Cilíndrico Direto | 222xx CC/C3W33 ou 223xx CC/C3W33 | Cilíndrico Reto (Sem K) | SNL 2xx / SD 31xx | Assento usinado direto com interferência (m6/k6) | W33: canal e 3 furos de engraxamento no anel externo |
5.7 Tabela 1-44: Dimensões Gerais de Tambores de Correia (Pág. 1.83 do Manual Faço)
Tabela normativa integral reproduzida da Página 1.83 do Manual de Transportadores Contínuos Faço. Define os padrões dimensionais dos tambores em função da largura da correia (B) e diâmetro do eixo (d):
| Largura da Correia B | t (pol) | Face A (mm) | Distância entre Mancais m₁ (mm) | m (mm) | Distância Discos C (mm) | Peso Médio Wt (kgf) | Balanço da Calha e (mm) | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| d ≤ 90 mm | 90 < d ≤ 125 | d > 125 mm | 20° | 35° | 45° | ||||||
| 16" (400 mm) | 18" | 500 | 800 | 850 | — | 650 | 460 | 95 | 15 | 25 | 30 |
| 18" (450 mm) | 20" | 550 | 850 | 900 | — | 700 | 510 | 110 | 15 | 25 | 30 |
| 20" (500 mm) | 22" | 600 | 900 | 950 | — | 750 | 560 | 130 | 15 | 25 | 30 |
| 24" (600 mm) | 26" | 700 (710) | 1000 (1050) | 1050 | 1150 | 850 | 660 (670) | 185 | 15 | 25 | 35 |
| 30" (750 mm) | 32" | 850 (900) | 1150 (1200) | 1200 | 1300 | 1000 | 810 | 260 | 20 | 30 | 40 |
| 36" (900 mm) | 38" | 1000 (1050) | 1300 (1350) | 1350 | 1450 | 1150 | 960 | 360 | 20 | 35 | 45 |
| 42" (1050 mm) | 44" | 1150 (1200) | 1450 (1500) | 1500 | 1600 | 1300 | 1110 | 480 | 25 | 40 | 50 |
| 48" (1200 mm) | 51" | 1350 (1400) | 1650 | 1700 | 1800 | 1500 | 1310 | 620 | 25 | 45 | 55 |
| 54" (1400 mm) | 57" | 1500 (1600) | 1800 | 1850 | 1950 | 1650 | 1460 | 780 | 30 | 50 | 60 |
| 60" (1500 mm) | 63" | 1650 (1750) | 1950 | 2000 | 2100 | 1800 | 1610 | 950 | 30 | 50 | 65 |
| 72" (1800 mm) | 75" | 1950 (2050) | 2250 | 2300 | 2400 | 2100 | 1910 | 1380 | 35 | 60 | 75 |
B = largura da correia; t = vão entre longarinas; A = comprimento da face do tambor; m₁ = distância entre centros de mancais (em função do diâmetro d do eixo); m = vão entre apoios estruturais; C = distância entre as faces externas dos discos laterais; Wt = peso médio do tambor padrão; e = sobrelevação lateral da borda da correia na calha.
5.8 Tabelas Técnicas: Aços de Eixos (Tab. 1-30) e Catálogo de Rolamentos Autocompensadores (ISO 281)
Tabela 1-30: Tensões Admissíveis dos Aços para Eixos de Tambores (Manual Faço pág. 1.59)
| Material do Eixo | Com Rasgo de Chaveta (σadm) | Sem Rasgo de Chaveta (σadm) | Limite de Escoamento (fy) | Indicação de Engenharia |
|---|---|---|---|---|
| Aço SAE 1020 | 420 kgf/cm² (41,2 MPa) | 560 kgf/cm² (54,9 MPa) | 250 MPa | Tambores de retorno/desvio leves em serviço não crítico. |
| Aço SAE 1040 (Padrão Faço) | 560 kgf/cm² (54,9 MPa) | 750 kgf/cm² (73,5 MPa) | 360 MPa | Padrão industrial: eixos motrizes de esteiras de média/alta potência. |
| Aço SAE 4140 (Beneficiado) | 630 kgf/cm² (61,8 MPa) | 840 kgf/cm² (82,4 MPa) | 650 MPa | Alta solicitação mecânica, britagem pesada e mineração. |
| Aço SAE 4340 (Beneficiado) | 700 kgf/cm² (68,6 MPa) | 930 kgf/cm² (91,2 MPa) | 850 MPa | Serviço extra pesado, tambores de alta tensão e correias de cabo de aço. |
Catálogo Completo de Rolamentos Autocompensadores de Dupla Carreira de Rolos (ISO 281 / Catálogo de Mancais)
Rolamentos padronizados para tambores industriais: furo cônico (com bucha HE) vs assento direto cilíndrico, ambos com Folga C3 e lubrificação W33:
| Ø Eixo no Mancal | Rolamento c/ Bucha Cônica | Bucha de Fixação | Rolamento Assento Cilíndrico | Caixa Bipartida | Capacidade Dinâmica Cr | Capacidade Estática C0r |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ø 40 mm | 22209 CCK/C3W33 | HE 309 | 22208 CC/C3W33 | SNL 509 | 8.850 kgf (86,8 kN) | 8.800 kgf |
| Ø 50 mm | 22211 CCK/C3W33 | HE 311 | 22210 CC/C3W33 | SNL 511 | 10.600 kgf (104 kN) | 11.000 kgf |
| Ø 60 mm | 22213 CCK/C3W33 | HE 313 | 22212 CC/C3W33 | SNL 513 | 15.900 kgf (156 kN) | 16.900 kgf |
| Ø 70 mm | 22216 CCK/C3W33 | HE 316 | 22214 CC/C3W33 | SNL 516 | 21.600 kgf (212 kN) | 24.500 kgf |
| Ø 80 mm | 22218 CCK/C3W33 | HE 318 | 22216 CC/C3W33 | SNL 518 | 24.500 kgf (240 kN) | 27.500 kgf |
| Ø 90 mm (Padrão 24") | 22220 CCK/C3W33 | HE 320 | 22218 CC/C3W33 | SNL 520 | 34.200 kgf (335 kN) | 38.200 kgf |
| Ø 100 mm | 22222 CCK/C3W33 | HE 322 | 22220 CC/C3W33 | SNL 522 | 43.300 kgf (425 kN) | 50.000 kgf |
| Ø 110 mm | 22224 CCK/C3W33 | HE 3124 | 22222 CC/C3W33 | SNL 524 | 57.100 kgf (560 kN) | 66.800 kgf |
| Ø 120 mm | 22226 CCK/C3W33 | HE 3126 | 22224 CC/C3W33 | SNL 526 | 66.500 kgf (652 kN) | 78.000 kgf |
| Ø 140 mm | 22230 CCK/C3W33 | HE 3130 | 22228 CC/C3W33 | SNL 530 | 93.000 kgf (912 kN) | 115.000 kgf |
| Ø 160 mm | 22236 CCK/C3W33 | HE 3136 | 22232 CC/C3W33 | SD 3136 | 145.000 kgf (1.422 kN) | 185.000 kgf |
| Ø 170 mm | 22238 CCK/C3W33 | HE 3138 | 22234 CC/C3W33 | SD 3138 | 162.000 kgf (1.589 kN) | 212.000 kgf |
| Ø 190 mm | 22242 CCK/C3W33 | HE 3142 | 22238 CC/C3W33 | SD 3142 | 162.000 kgf (1.589 kN) | 212.000 kgf |
| Ø 200 mm | 22244 CCK/C3W33 | HE 3144 | 22240 CC/C3W33 | SD 3144 | 220.300 kgf (2.160 kN) | 295.700 kgf |
6.1 Princípio Físico da Descarga e Determinação do Ponto de Desprendimento
Ao atingir o tambor de descarga, o fluxo de material sólido sobre a correia passa de uma trajetória retilínea para uma trajetória circular de raio r com rotação n. Nesse instante, cada partícula de material fica sujeita a duas forças concorrentes principais:
- Força da Gravidade (Peso):
P = m × g(atuando verticalmente para baixo). - Força Centrífuga:
Fc = (m × Vt²) / r(atuando radialmente para fora da curvatura do tambor).
Raio do CG: r = (D/2 + 25,4·e + a) / 1000 [m]Rotação do Tambor: n = (60.000 × V) / (π × D) [rpm]Velocidade Tangencial: Vt = (r × n × π) / 30 [m/s]Fator Centrífugo Adimensional: Y = Vt² / (g × r) [com g = 9,8 m/s²]
Critério Governante de Separação (Desprendimento da Correia):
• Se Y < 1 (Velocidade Moderada / Baixa): A gravidade é superior à força centrífuga no topo. O material acompanha a curvatura da correia sobre o tambor até o ponto angular onde a componente radial da gravidade iguala a força centrífuga:
cos Ψ = Y ⟹ Ψ = arccos(Y) [graus medidos além da vertical superior].
6.2 Classificação Normativa nos 6 Casos de Trajetória (Manual Faço pág. 1.86)
O Manual Faço classifica o comportamento da trajetória em 6 casos distintos em função da inclinação longitudinal da esteira (λ) e do fator centrífugo (Y):
| Caso Faço | Perfil Longitudinal | Critério Físico | Ponto de Desprendimento | Comportamento Parabólico |
|---|---|---|---|---|
| Caso 1 | Horizontal (λ = 0°) | Y ≥ 1 |
No topo do tambor (Ψ = 0°) | Lançamento horizontal com velocidade inicial Vt. Queda suave para a frente. |
| Caso 2 | Horizontal (λ = 0°) | Y < 1 |
No ângulo Ψ à frente do topo | O material contorna o tambor até cos Ψ = Y e é lançado inclinando-se para baixo. |
| Caso 3 | Aclive / Ascendente (λ > 0°) | Y ≥ 1 |
Na tangência de chegada ao tambor | Material é lançado para cima com ângulo +λ, atinge o vértice e desce em parábola. |
| Caso 4 | Aclive / Ascendente (λ > 0°) | Y < 1 |
cos λ ≤ Y ⟹ na tangência cos λ > Y ⟹ no ângulo Ψ |
Se a projeção do peso na tangência superar Fc, acompanha o tambor até Ψ além do topo. |
| Caso 5 | Declive / Descendente (λ < 0°) | Y ≥ 1 |
Na tangência de chegada ao tambor | Lançamento imediato apontando para baixo com ângulo -λ. |
| Caso 6 | Declive / Descendente (λ < 0°) | Y < 1 |
No ângulo Ψ | Material contorna o tambor até que a componente gravitacional permita o desprendimento. |
6.3 Tabela 1-45 Integral: Distância 'a' do Centro de Gravidade à Correia (Pág. 1.85 do Manual Faço)
Tabela normativa integral que fornece a distância vertical a (em milímetros) entre a face da borracha da correia e o centro de gravidade da seção de carga em função do ângulo dos roletes (β), do ângulo de acomodação (α) e da largura da correia (B):
| Roletes (β) | Acomodação (α) | 16" | 20" | 24" | 30" | 36" | 42" | 48" | 54" | 60" | 72" | 84" | 96" |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Roletes a 20° (Calha Suave / 3 Rolos) | |||||||||||||
| 20° | 0° | 10 | 15 | 18 | 20 | 28 | 33 | 38 | 43 | 48 | 58 | 69 | 79 |
| 20° | 5° | 13 | 15 | 20 | 25 | 33 | 41 | 46 | 53 | 58 | 69 | 81 | 94 |
| 20° | 10° | 15 | 20 | 25 | 33 | 38 | 46 | 53 | 61 | 69 | 83 | 99 | 114 |
| 20° | 20° | 20 | 25 | 33 | 41 | 48 | 58 | 69 | 75 | 86 | 107 | 125 | 142 |
| 20° | 25° | 21 | 28 | 36 | 46 | 56 | 66 | 76 | 86 | 96 | 117 | 137 | 158 |
| 20° | 30° | 23 | 33 | 38 | 50 | 61 | 74 | 84 | 96 | 109 | 130 | 155 | 180 |
| Roletes a 35° (Padrão Industrial / Mineração) | |||||||||||||
| 35° | 0° | 15 | 23 | 28 | 36 | 43 | 50 | 61 | 69 | 76 | 91 | 104 | 119 |
| 35° | 5° | 18 | 25 | 30 | 38 | 48 | 56 | 66 | 76 | 84 | 102 | 119 | 137 |
| 35° | 10° | 21 | 25 | 33 | 43 | 53 | 64 | 74 | 84 | 91 | 112 | 132 | 152 |
| 35° | 20° | 23 | 33 | 41 | 53 | 64 | 74 | 86 | 96 | 109 | 132 | 155 | 178 |
| 35° | 25° | 25 | 36 | 43 | 56 | 69 | 79 | 94 | 104 | 117 | 142 | 168 | 193 |
| 35° | 30° | 28 | 38 | 46 | 58 | 74 | 86 | 102 | 114 | 127 | 152 | 178 | 203 |
| Roletes a 45° (Alta Calha / Granéis Leves) | |||||||||||||
| 45° | 0° | 20 | 25 | 33 | 46 | 50 | 61 | 69 | 79 | 89 | 107 | 127 | 147 |
| 45° | 5° | 21 | 28 | 36 | 46 | 56 | 66 | 76 | 86 | 96 | 117 | 137 | 158 |
| 45° | 10° | 23 | 30 | 38 | 48 | 58 | 71 | 81 | 91 | 104 | 124 | 173 | 196 |
| 45° | 20° | 25 | 36 | 43 | 56 | 69 | 79 | 94 | 107 | 117 | 142 | 168 | 193 |
| 45° | 25° | 28 | 36 | 46 | 58 | 71 | 84 | 99 | 112 | 124 | 150 | 175 | 198 |
| 45° | 30° | 30 | 38 | 48 | 61 | 76 | 89 | 104 | 117 | 132 | 160 | 191 | 221 |
| Roletes Planos (β = 0°) | |||||||||||||
| 0° | 5° | 3 | 4 | 4 | 6 | 7 | 8 | 9 | 11 | 12 | 14 | 17 | 18 |
| 0° | 10° | 6 | 8 | 9 | 10 | 14 | 17 | 19 | 22 | 24 | 29 | 34 | 43 |
| 0° | 15° | 9 | 11 | 13 | 15 | 20 | 25 | 27 | 33 | 35 | 43 | 53 | 63 |
| 0° | 20° | 12 | 15 | 18 | 20 | 28 | 33 | 37 | 43 | 47 | 57 | 68 | 78 |
| 0° | 25° | 14 | 20 | 22 | 24 | 34 | 41 | 45 | 54 | 59 | 71 | 84 | 96 |
| 0° | 30° | 18 | 23 | 26 | 29 | 41 | 49 | 54 | 65 | 70 | 85 | 100 | 116 |
6.4 Tabela 1-46 Integral: Cotas Verticais de Queda Livre 'j' (Pág. 1.86 do Manual Faço)
A determinação geométrica de qualquer parábola balística sob gravidade baseia-se na composição do avanço constante na tangente de lançamento e na queda livre vertical acelerada. O Manual Faço adota intervalos padronizados de tempo Δt = 1/20 segundo = 0,05 s:
Avanço na tangente: i = 50 × Vt [mm] (distância percorrida em 1/20 s)Queda vertical da gravidade: j = ½ × g × t² = ½ × 9800 × (k × 0,05)² [mm]
| Intervalo (k) | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Tempo t (s) | 0,05 | 0,10 | 0,15 | 0,20 | 0,25 | 0,30 | 0,35 | 0,40 | 0,45 | 0,50 |
| Cota j (mm) | 13 | 49 | 111 | 197 | 306 | 441 | 600 | 784 | 1003 | 1226 |
| Intervalo (k) | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Tempo t (s) | 0,55 | 0,60 | 0,65 | 0,70 | 0,75 | 0,80 | 0,85 | 0,90 | 0,95 | 1,00 |
| Cota j (mm) | 1483 | 1765 | 2062 | 2402 | 2756 | 3137 | 3542 | 3974 | 4382 | 4909 |
6.5 Projeto Construtivo de Chutes de Transferência & Dispositivos de Descarga (Manual Faço pág. 1.87)
O objetivo do cálculo preciso da trajetória é dimensionar corretamente a bica ou chute de descarga, garantindo transferência contínua, centrada e suave sem choque direto perpendicular e sem acúmulo de pó abrasivo:
- Placa de Desgaste Defletora (Baffle Plate): Deve ser posicionada de forma que o fluxo incida com ângulo entre 45° e 60°. Ângulos de 90° causam impacto frontal violento, esmagamento de grãos, degradação de material e rápido desgaste da chapa. Ângulos menores que 40° podem gerar acúmulo e embuchamento se o material for úmido.
- Raspador Primário de Correia (Doctor Blade): Instalado imediatamente após o ponto de separação da correia na tangência inferior do tambor, raspando a película fina aderida e direcionando-a para dentro do bocal do chute.
- Folga Superior Livre (Headroom): O topo do capô deve estar afastado no mínimo 150 a 200 mm da envoltória superior do fluxo para circulação de ar induzido.
- Tipos Especiais de Descarga (Manual Faço pág. 1.87):
- Trippers (Móveis ou Fixos): Elevam a correia sobre dois tambores intermediários para descarregar em qualquer ponto ao longo do comprimento do transportador.
- Desviadores (Arados em V): Lâminas diagonais que raspam o material lateralmente sobre roletes planos sem interromper o percurso da correia.