DIMENSIONE — Dimensionamento de Transportadores de Correia

Correias Transportadoras de Borracha • Capacidade, Potência de Acionamento e Contrapeso para Esticadores

ID GERAL

Identificação do Transportador

Parâmetros cadastrais compartilhados entre todos os módulos de cálculo e Memoriais técnicos

INTEGRAÇÃO GLOBAL
kg/m³
1

Requisitos de Produção & Material Transportado

t/h
Produção ou demanda horária a ser transportada
Preenche automaticamente densidade e ângulo
t/m³
mm
Maior dimensão do bloco ou pedaço
2

Geometria da Calha & Correia Dimensionada

m/s
graus (°)
Distância à Borda (dp): 2,22 pol (56,4 mm)
Fator Inclinação K (Tab. 1-03): 0,930
Capacidade Base Ctabela (Tab. 1-04): 135 m³/h

📐 Tipos de Calha e Geometria da Carga (Plano, 2 Rolos Iguais e 3 Rolos Iguais)

Geometria da Calha: Plano, 2 Rolos Iguais e 3 Rolos Iguais
β = 35° (Calha) Inclinação dos roletes laterais configurada.
dp = Borda Livre Folga de segurança: dp = 0,055·B + 0,9".
α = Acomodação Ângulo do granel em movimento (repouso - 10° a 15°).
C = Vazão Volumétrica Seção útil da carga: C = Ctabela · V · K [m³/h].
λ = Inclinação (K) Ângulo longitudinal do transportador (Fator K, Tab. 1-03).

Comparativo com a Correia Instalada em Campo

Avalie se a correia existente em fábrica atende à vazão requerida
COMPARATIVO ATIVO
m/s
Parâmetro de Engenharia Demanda de Produção Correia Instalada em Campo Diagnóstico / Margem
Capacidade Mássica de Carga 120,0 t/h 391,7 t/h FOLGA DE 69,4%
Capacidade Volumétrica 50,0 m³/h 163,2 m³/h Calha a 30,6% de ocupação
Velocidade Operacional Operação contínua 1,30 m/s OK (Máx rec: 2,30 m/s)
Granulometria do Material dmax = 50 mm Admissível: até 203 mm OK (Atende com folga)
CONFORME Correia Instalada Atende Perfeitamente à Demanda
Ocupação: 30,6%

A correia instalada em campo possui capacidade máxima de 391,7 t/h, operando com 30,6% de carregamento e folga de 69,4%. Operação estável e sem risco de derramamento.

Recomendação Técnica: Manter os parâmetros operacionais atuais da correia instalada.

Capacidade Máxima Dimensionada (Método Prático Industrial)

CONFORME
Capacidade Máxima Mássica (Qmax) 391,7 t/h
Capacidade Volumétrica (C) 163,2 m³/h
Taxa de Ocupação da Calha 30,6% da seção livre
Folga de Capacidade 69,4% margem operacional

MEMORIAL DA FORMULAÇÃO NORMATIVA

C = Ctabela × V × K = 135 × 1,30 × 0,930 = 163,2 m³/h
Q = C × γ = 163,2 × 2,40 = 391,7 t/h

VERIFICAÇÕES NORMATIVAS ADICIONAIS

✅ Velocidade da Correia: 1,30 m/s ≤ Máx recomendada de 2,30 m/s (Tabela 1-05).
✅ Granulometria Máxima: 50 mm ≤ Máx admissível de 203 mm para correia 24" (Tabela 1-06).
✅ Borda Livre de Segurança: Distância livre dp = 56,4 mm evita vazamentos laterais.
1

Parâmetros Operacionais e Geometria

t/h
m
m/s
≅ 78 m/min
graus (°)
Desnível H: 3,91 m
m
Lg ≤ 5m: Ng = 0 (Tabela Paramétrica de Guias)
2

Conjunto de Acionamento & Cinemática

mm
cv
Para análise de reserva / sobrecarga
3

Avaliação de Partida com Transportador Cheio

Rampa suave eletrônica (8 a 15 s): limita pico de torque na correia a 120-140%.
s
Padrão Soft-Starter: 8 a 15 s
x
Padrão Soft-Starter: 1,20x a 1,40x

Potência Efetiva e Acionamento (Método Prático)

MÉTODO PRÁTICO
Potência Efetiva Ne 0,00 HP (0,00 kW)
Força Tangencial Te (Ft) 0 kgf (0 N)
Potência Motor Requerida 0,00 cv (0,00 kW)
Motor Comercial Padronizado -- cv WEG TFVE / ABNT
Parcela de Resistência Equação e Tabela Valor Unitário Contribuição na Potência

Comparativo Normativo: Método Prático vs CEMA / DIN 22101

Método de Avaliação Potência Efetiva Pe Força Tangencial Ft Motor Sugerido Diferença / Status

Avaliação de Partida com Transportador 100% Cheio

SOFT-STARTER
Massa Acelerada (Wt) 0 kg total
Força Inercial (Facel) 0 kgf (tempo: 10s)
Força Pico de Partida 0 kgf
Fator Dinâmico Pico 0,00 x T_regime

Cinemática do Acionamento & Freio Contra-Recuo

--
Rotação Tambor (nt) 0,0 rpm
Redução Requerida (i) 0,0 : 1
Torque Eixo Tambor (Mt) 0 kgf·m (0 N·m)
Torque Contra-Recuo (Zc) 0 kgf·m
1

Dados Operacionais e Geometria do Transportador

cv
kW
m/min
m/s
m
m
°
t/h
kg/m
Cálculo: 13,9 kg/m² × 0,61 m = 8,50 kg/m (Capas borracha 7,94 mm + Carcaça 3 lonas)
⚡

Método de Cálculo da Potência / Força Tangencial (Ft)

Calcula a resistência física de movimento considerando a inclinação, desnível e atrito da correia.
%
kW
3

Sistema de Esticador e Atrito no Tambor Motriz (Acionamento)

Tambor tensor suspenso em duas pernas de correia: Força total exercida G = 2 × T3.
Esticador junto à cabeça: T3 ≈ T2 (sem alívio por desnível no retorno).
°
Radianos correspondente: 3,665 rad
μ
4

Dados dos Blocos / Berço Instalado (Comparativo)

kg/m³
mm
mm
mm
kg
5

Dados de Projeto do Fabricante (Memorial Original)

kgf
kgf
kgf
kgf
RESULTADO ESSENCIAL DE ENGENHARIA

Contrapeso Teórico Mínimo Necessário

Gteórico = 662 kg

Necessário para garantir a tensão no lado frouxo (331 kgf) e evitar o escorregamento da correia no tambor sob plena potência do motor.

Força Tangencial (Ft) 863 kgf 102 × P / V
Relação Euler (T1/T2) 3,61 e^(μθ)
T2 Motriz (Tambor 1) 331 kgf Lado Frouxo de Euler
T3 Tensor (Tambor 3) 183 kgf T3 = G / 2 (no Esticador)
✅
Conferência de Equilíbrio: Ft = T1 - T2 Ft = 1195 - 331 = 864 kgf ≅ 863 kgf (Conferência correta)

Avaliação do Contrapeso Existente / Instalado

Volume Unitário 0,033891 m³
Peso Unitário 81,34 kg
Peso Total Instalado (G) 406,7 kg
Tensão Efetiva na Correia (T3) 203,35 kgf
Atendimento ao Projeto do Fabricante (400 kgf) 101,7%
Atendimento ao Cálculo Teórico de Euler (662 kg) 61,4%
CONFORME

Diagnóstico Técnico Conclusivo

✅ Contrapeso atende ao projeto do transportador.
✅ Os 5 blocos fornecem praticamente a mesma tensão prevista pelo fabricante (101,7%).
✅ Não há necessidade de adicionar mais peso.
1

Parâmetros Operacionais e Geometria do Circuito

t/h
m/s
m
graus (°)
Desnível H: 3,91 m
m
Conforme Tab. 1-13 (pág. 1.25)
kgf
Te = 715 kgf ≅ 7,01 kN (Potência Líquida 9,1 kW / 12,4 cv)
2

Acionamento, Atrito e Fator de Abraçamento K (Tab. 1-28 e 1-29)

Coeficiente Atrito (μ): 0,35
Fator Abraçamento K (Tab. 1-28): 0,380
3

Configuração do Circuito de Tração (Casos 1 a 6 — Manual págs. 1.49 a 1.51)

📐 Fórmulas Normativas do Arranjo Selecionado:
• T1 = (1 + K)·Te (A) ou Te + T0 + H·Wb - Fr (B)
• T2 = K·Te (A) ou T0 + H·Wb - Fr (B)
• T3 = K·Te + Fr - H·Wb (A) ou T0 (B)
4

Seleção da Carcaça, Lonagem e Revestimento (págs. 1.53 a 1.55)

Tensões de Operação e Capacidade da Carcaça

CONFORME
Tensão Efetiva (Te) 715 kgf
Tensão Máx Motriz (T1) 987 kgf
Lado Frouxo (T2) 272 kgf
Tambor Retorno (T3) 258 kgf
Tensão Admissível (Tad) 4.023 kgf
Fator de Segurança (FS) 4,08 x
Utilização da Carcaça 24,5% da Tad
Tensão na Partida 1.283 kgf
Grandeza Normativa (Faço 1.47 a 1.56) Valor Calculado Equação / Referência
Peso Linear do Material (Wm) 25,6 kgf/m Wm = 0,277 × Q / V (pág. 1.47)
Peso Médio da Correia (Wb) 7,7 kgf/m Tabela 1-27 (24" = 7,7 kgf/m)
Tensão Mínima p/ Flecha 2% (T0) 208,1 kgf T0 = 6,25 × (Wm + Wb) × a (pág. 1.47)
Atrito nos Roletes de Retorno (Fr) 2,9 kgf Fr = 0,015 × L × Wb (pág. 1.47)
Condição de Tração Governante FÓRMULA A (ATRITO DE EULER) T3 (258 kgf) ≥ T0 (208 kgf) — Folga contra flecha
Flecha Real no Vão dos Roletes 1,61% do vão OK (Abaixo do limite de 2,0%)
Diâmetros Mínimos dos Tambores Motriz: 400 mm | Cauda/Retorno: 315 mm Conforme lonas e % Tad (Tab. 2-46 / 2-51)
CARCAÇA APROVADA Correia Adequada para as Tensões de Regime e Partida

A correia selecionada (24 pol, 3 Lonas Mercúrio PN 2200, Emenda Vulcanizada) possui tensão admissível de 4.023 kgf, operando com tensão máxima de regime T1 = 987 kgf e fator de segurança FS = 4,08 (utilização de 24,5% da capacidade nominal). A tensão mínima no retorno T3 = 258 kgf supera T0 = 208 kgf, garantindo flecha inferior a 2% e sem risco de escorregamento.

Recomendação Técnica: Utilizar tambor motriz emborrachado com diâmetro mínimo de 400 mm e tambor de retorno de 315 mm para preservar a vida útil das lonas e evitar fadiga de flexão.
1

Geometria e Dimensões Básicas do Tambor (Faço 1.57 e Tab. 1-44)

mm
Ø Tambor s/ revestimento
mm
Tab. 1-44: 710 mm (p/ 24")
mm
Tab. 1-44: 1.050 mm (m1)
mm
Face externa dos cubos
mm
Chapa calandrada do corpo
kgf
Tambor completo + eixo
2

Tensões da Correia e Orientação dos Vetores (Faço 1.58 e 1.59)

kgf
Tensão da correia na entrada
graus (°)
Inclinação do ramo carregado
kgf
Tensão da correia na saída
graus (°)
Direção do retorno da correia
kW
Gera torque torsor no motriz
m/s
Rotação: 62,1 rpm
3

Material do Eixo e Dimensionamento à Flexo-Torção (Faço 1.59 e 1.60)

mm
Mínimo Faço calculado: 78 mm
Evita desalinhamento angular nos rolamentos
4

Seleção e Dimensionamento de Mancais e Rolamentos (ISO 281 / CEMA)

Rolamento autocompensador de dupla carreira de rolos (ISO 281 / SKF / FAG)
Folga radial C3: ajuste prático com lâminas calibradas na montagem da bucha
horas
Mínimo CEMA / Faço: 50.000 h (≈ 6 anos contínuos)
DIAGRAMA MECÂNICO VETORIAL

Desenho Representativo do Tambor e Forças Aplicadas

Representação polar das forças tangenciais da correia (T1, T2), peso próprio (Wt), resultante radial (P) e reações nos mancais (RA, RB)

Carga Radial Total (P) 1.492 kgf Direção αR = 48,5°
Carga por Mancal (Fr) 746 kgf RA = RB = P / 2
Momento Ideal (Mi) 21.680 kgf·cm √(1,5·Mf)² + Mt²
Ø Eixo no Mancal Ø 90 mm d mín = 78,4 mm
✅
Equilíbrio Estático e Reações de Apoio P_total = 1.492 kgf ⟹ Carga em cada mancal: RA = RB = 746 kgf (7,32 kN). Eixo e mancais equilibrados.

Memorial Analítica e Dimensionamento dos Componentes do Tambor

Componente / Grandeza Valor Calculado Limite / Referência Faço Status
Momento Fletor Máximo (Mf) 14.174 kgf·cm Mf = (P/2) × a = (P/2) × (L - C)/2 SOLICITAÇÃO
Momento Torsor no Tambor (Mt) 17.260 kgf·cm Mt = (T1 - T2) × (D/2) (Pág. 1.59) TORÇÃO
Diâmetro Mínimo do Eixo (d_mín) 78,4 mm d ≥ ³√[16·Mi / (π·σadm)] (Tab. 1-30) OK (Adotado 90 mm)
Flecha Máxima no Eixo (f) 0,38 mm f_adm = 0,70 mm (L / 1500) CONFORME
Espessura Mínima do Corpo (s) 6,2 mm s ≥ Kc·(3·T·D) / σc (Tab. 1-31) OK (Adotada 9,5 mm)
Rolamento Selecionado 22218 CCK/C3W33 (Cr = 34,2 t) Autocompensador de Dupla Carreira de Rolos (Folga C3) SELECIONADO
Mancal Bipartido Recomendado SNL 518 + Bucha H 318 Vedação Taconita / Labirinto PADRONIZADO
Vida Nominal do Rolamento (L10h) 142.500 horas Requerida ≥ 50.000 h (≈ 5,7 anos) AMPLAMENTE APROVADO
TAMBOR E ROLAMENTOS APROVADOS Conjunto Mecânico Plenamente Dimensionado

O tambor de acionamento (Ø 400 × 710 mm) atende com total segurança aos esforços radiais e momentos combinados. O eixo adotado de Ø 90 mm em aço SAE 1040 supera o diâmetro mínimo requerido de 78,4 mm e apresenta flecha sob carga de 0,38 mm, respeitando com folga o limite rígido de 0,70 mm (L/1500). Os rolamentos autocompensadores 22218 EK suportam a carga radial de 746 kgf com vida estimada L10h superior a 140.000 horas de operação ininterrupta.

Recomendação de Manutenção e Montagem: Utilizar caixas de mancal bipartidas com vedação tipo taconita engraxada para evitar penetração de pó abrasivo. Realizar lubrificação periódica com graxa de sabão de lítio complexo e monitorar a vibração espectral nos mancais.
1

Geometria do Tambor de Descarga & Correia

Largura nominal da correia transportadora
mm
Tambor motriz de cabeça ou tambor de alívio
mm
Equivalente a 0,47" (carcaça + coberturas)
graus
(+) Aclive / 0° Horizontal / (-) Declive
2

Cinemática & Centro de Gravidade (Faço 1.84 - 1.85)

m/s
≅ 78 m/min
Inclinação dos rolos laterais no percurso
Sobrelevação dinâmica do material
mm
Tabela 1-45 Faço: 41 mm (p/ 24", β=35°, α=20°)
3

Equações de Trajetória (Manual Faço pág. 1.84)

r = (D/2 + e + a) / 1000 [m]
n = (60.000 × V) / (π × D) [rpm]
Vt = (r × n × π) / 30 [m/s]
Y = Vt² / (g × r) [adimensional, g = 9,8 m/s²]
i = 50 × Vt [mm] (avanço a cada 1/20 s)
j = 0,5 × g × t² [mm] (cotas verticais da Tab. 1-46)
Regra de Desprendimento da Faço:
• Se Y ≥ 1: A força centrífuga supera a gravidade. Desprendimento tangencial imediato na chegada ao tambor.
• Se Y < 1: O material é retido contra a correia pela gravidade até atingir o ângulo cos Ψ = Y ⟹ Ψ = arccos(Y).
CINEMÁTICA & DESPRENDIMENTO FAÇO (PÁG. 1.84)

Parâmetros Físicos da Trajetória de Descarga

⚡ Y ≥ 1,0 (Centrífugo)
n Rotação do Tambor
62,1 rpm
n = 60.000 × V / (π × D)
r Raio do CG
0,253 m
r = D/2 + e + a (253 mm)
Vt Velocidade Tangencial
1,65 m/s
Vt = r × n × π / 30
Y Fator Centrífugo Adimensional
1,09 —
Y ≥ 1,0 (Centrífugo: Imediato)
Ψ Ângulo de Desprendimento
0,0° graus
Desprendimento tangencial imediato
i Avanço Linear por Passo
82,3 mm
i = 50 × Vt (p/ Δt = 1/20 s)
🎯 Caso 3: Correia em Aclive com Y ≥ 1

O material desprende-se imediatamente na chegada ao tambor, sendo lançado com ângulo inicial igual à inclinação de subida (+9,0°). A parábola atinge seu vértice superior antes de iniciar a curva descendente.

📐

Desenho Técnico da Trajetória & Defletor do Chute

Tambor & Correia
Fluxo de Material
Parábola do CG
Placa de Desgaste (45°-60°)
Raspador Primário
📊

Cotas Analíticas de Queda Livre (Tabela 1-46 - Pág. 1.86)

Δt = 1/20 s

Cotas verticais de queda j = 0,5 × g × t² e avanço na tangente k × i conforme a Tabela 1-46 do Manual Faço:

Ponto (k) Tempo t (s) Avanço k·i (mm) Queda j (mm) Coord. X (mm) Coord. Y (mm)
🛡️

Recomendações Construtivas de Chutes e Defletores (Manual Faço pág. 1.87)

Dimensionamento de Chute em Conformidade

A trajetória parabólica calculada estabelece o envelope livre de descarga. A placa defletora de desgaste deve ser posicionada a um ângulo entre 45° e 60° em relação à linha do fluxo, atenuando o choque mecânico e a quebra granulométrica do produto. O raspador de correia primário de poliuretano deve ser posicionado na tangência inferior do tambor, com calha coletora direta para a bica.

Diretrizes contra entupimento: Manter afastamento mínimo de 150 mm entre o contorno superior do fluxo de material e o teto do capô do chute para ventilação e alívio de ar arrastado.
MANUAL FAÇO • CAPÍTULO 9 (PÁGS. 9.16 A 9.18)

⚙️ Cuidados na Operação & Comissionamento de Transportadores

Diretrizes práticas de engenharia para inspeção pré-partida, amaciamento em vazio, testes com carga escalonada, técnicas normativas de alinhamento e regras críticas de segurança no trabalho.

1

1. Cuidados Antes da Partida (Manual Faço pág. 9.16)

Pré-Partida

Inspeção preliminar obrigatória antes de qualquer energização do equipamento:

2

2. Partida em Vazio (Manual Faço pág. 9.16)

Start-Up
3

3. Testes com Carga Escalonada (Faço 9.16 - 9.17)

Com Carga
🧭

4. Técnicas de Alinhamento da Correia (Manual Faço pág. 9.17)

🎯 A Regra de Ouro dos 3 a 6 Metros (Faço pág. 9.17):
Se a correia tende a correr para um lado de modo que possa danificar-se, alguns roletes situados cerca de 3 a 6 metros antes da região de desvio devem ser inclinados ligeiramente para mantê-la centrada. O desalinhamento nunca se origina onde aparece pela primeira vez!

Nota técnica da Faço: O efeito da inclinação dos roletes não é imediato. Aguarde alguns minutos antes de efetuar outro ajuste.

Diagnóstico Comparativo de Desalinhamento:

O mesmo trecho da correia desvia ao longo de todo o percurso:
Causa: Correia defeituosa com curvatura longitudinal na carcaça ou emenda feita fora de esquadro. A única solução definitiva é cortar e refazer a emenda rigorosamente no esquadro.
A correia desvia sempre nos mesmos roletes:
Causa: Os roletes naquele ponto estão fora de esquadro (não perpendiculares à linha de centro) ou a estrutura metálica está desnivelada.
Roletes Auto-Alinhadores (Faço pág. 9.18):
Se o ajuste convencional não estabilizar o percurso no retorno e na carga, instalar cavaletes auto-alinhadores pivotantes dotados de rolos guias verticais.
🚨

5. Segurança & Operação Contínua (Manual Faço pág. 9.18)

⚠️ REGRA DE SEGURANÇA VITAL (Manual Faço pág. 9.18):

Nos casos em que o transportador possui passadiço apenas de um lado, é extremamente perigoso ajustar os roletes do lado oposto ao passadiço com a correia em movimento! Para qualquer ajuste deste tipo, o equipamento DEVE ser desligado, desenergizado e bloqueado (LOTO).

⚖️ Tensão Mínima e Flecha Máxima de 3% (Faço 9.18):
O sistema de esticamento deve ter sempre a carga mínima necessária para impedir o deslizamento entre correia e tambor motriz, mantendo uma flecha de no máximo 3% do espaçamento entre roletes.
🔍 Inspeção Diária em Regime Pleno:
Quando em operação com carga total, examinar diariamente as bordas, raspadores primários/secundários e a transição para detectar desgastes prematuros e corrigir suas causas antes de falhas graves.
MANUAL FAÇO • CAPÍTULO 9 (PÁGS. 9.23 A 9.28)

🔧 Manutenção Preventiva & Guia de Solução de Defeitos de Correias

Catálogo completo com os 19 defeitos normativos da Faço, identificação técnica de causas imediatas, soluções corretivas, prevenção de danos na carcaça e tabela de lubrificação periódica.

CASO I

A correia se desvia para um lado num mesmo ponto fixo do transportador

▼
A) Causa: Um ou mais roletes que precedem o referido ponto não estão alinhados a 90° com a linha de centro.
Correção: Adiantar, no sentido de deslocamento da correia, o lado do rolete em que está havendo o desvio.
B) Causa: Estrutura do transportador desalinhada ou empenada.
Correção: Alinhar a estrutura esticando um arame ou nivelando e desentortando os módulos.
C) Causa: Um ou mais roletes não centralizados com a linha de centro.
Correção: Fazer o alinhamento e centralização física dos cavaletes de roletes.
D) Causa: Rolos emperrando (rolamentos travados).
Correção: Substituir os rolos emperrados (rolamentos blindados avariados).
E) Causa: Correia desalinhada próximo a um tambor.
Correção: 1) Verificar o esquadro e alinhamento do tambor; 2) Verificar o alinhamento dos roletes adjacentes.
F) Causa: Aderência de material nos roletes de retorno.
Correção: 1) Verificar a borracha dos raspadores; 2) Providenciar limpeza; 3) Instalar limpador de retorno em V (arado).
G) Causa: Estrutura desnivelada (correia tende naturalmente para o lado mais baixo).
Correção: Nivelar a estrutura do transportador com calços e nível de precisão.
CASO II

A correia se desvia para um lado ao longo do mesmo trecho (viaja com o ponto da correia)

▼
A) Causa: Emenda não efetuada corretamente (cortada fora de esquadro).
Correção: Refazer a emenda, cortando as extremidades rigorosamente em esquadro geométrico a 90°.
B) Causa: Curvatura longitudinal na carcaça por armazenamento inadequado (correia deitada de lado ou umidade).
Correção: 1) Em correias novas, operar em vazio com carga plena para amaciamento; 2) Evitar estocagem úmida; 3) Instalar auto-alinhadores no retorno.
C) Causa: Carregamento fora do centro da correia no chute.
Correção: Ajustar a calha de alimentação para direcionar o granel estritamente no centro da correia.
CASO III

A correia se desvia em qualquer ponto indistintamente (instabilidade geral)

▼
A) Causa: A correia é excessivamente rígida e não se conforma transversalmente (não apoia no rolo central do cavalete em calha).
Correção: 1) Trocar por correia de carcaça com flexibilidade transversal adequada; 2) Inclinar roletes 2° no sentido do deslocamento; 3) Adicionar auto-alinhadores.
B) Causa: Roletes superiores montados inclinados no sentido inverso (contrário à marcha).
Correção: Inverter os suportes para que o avanço de 2° fique a favor do movimento da correia.
CASO IV

Desgaste excessivo na borda da correia transportadora

▼
A) Causa: Desalinhamento da correia raspando na estrutura metálica (ver Casos I, II e III).
Correção: Corrigir imediatamente o alinhamento da correia e eliminar pontos de atrito com longarinas e colunas.
B) Causa: A correia força excessivamente contra rolos guias laterais fixos.
Correção: Realinhar a correia para que não haja contato contínuo forçado com os rolos guias.
C) Causa: Cabeças de parafusos salientes acima dos revestimentos de borracha dos tambores.
Correção: 1) Apertar parafusos embutidos; 2) Substituir revestimentos gastos; 3) Utilizar revestimento vulcanizado a quente.
D) Causa: Inclinação excessiva dos roletes superiores (> 2°).
Correção: Ajustar os roletes para no máximo 2° no sentido do deslocamento da correia.
CASO V

Esticamento demasiado / excessivo da correia

▼
A) Causa: Tensão operacional muito alta na correia.
Correções:
1) Aumentar a velocidade mantendo a mesma vazão de material;
2) Reduzir a vazão horária mantendo a velocidade;
3) Usar o contrapeso de tamanho mínimo necessário (cálculo de Euler);
4) Revestir os tambores de acionamento ou aumentar o arco de abraçamento para diminuir a tensão frouxa requerida;
5) Substituir roletes emperrados e diminuir o coeficiente de atrito global.
CASO VI

Encurtamento da correia transportadora

▼
A) Causa: Absorção de umidade pelas fibras da carcaça.
Correções:
1) Substituir a correia por outra com carcaça sintética resistente à umidade (Poliéster/Nylon EP);
2) Instalar cobertura metálica superior ao longo de todo o percurso externo;
3) Aumentar o comprimento inserindo um pedaço de correia com esticador a meio curso.
CASO VII

Ranhuras, cortes e rupturas longitudinais na cobertura superior

▼
A-C) Causa: Saias de vedação muito rígidas, pressionadas em excesso ou partes metálicas do chute sem folga progressiva.
Correção: Usar borracha de vedação macia (não usar correia velha!); manter distância mínima de 50 mm entre o metal e a correia, com abertura progressiva de 20 mm por metro no sentido do transporte.
D-F) Causa: A correia cede sob o impacto nos pontos de carga aprisionando pedras, ou material acumulado nos chutes.
Correção: Instalar roletes de impacto de anéis de borracha e alargar a área de passagem do chute.
G-J) Causa: Raspador de correia com borracha desgastada, corpos metálicos na carga ou queda de rolo.
Correção: Substituir lâminas raspadoras de poliuretano, instalar separador magnético e substituir rolos danificados.
CASO VIII

Pequenos cortes e rachaduras na carcaça em estrela ou paralelos às bordas

▼
A) Causa: Impacto violento de grandes blocos de pedra ou minério sobre a correia.
Correção: Reduzir a altura de queda no chute, instalar roletes de impacto e especificar correia com lona de reforço (breaker).
B) Causa: Material entra entre o tambor de retorno e a correia.
Correção: Instalar limpador de retorno em V (arado) na face interna da correia antes do tambor de retorno.
CASO IX

Rachaduras transversais nas bordas da correia

▼
A-D) Causa: Bordas tocam a estrutura próximo aos tambores; emboloramento; rolete de transição muito alto ou raio de curva convexa muito pequeno.
Correção: Ajustar o rolete de transição conforme normas Faço, aumentar o raio de curvatura da curva convexa e evitar atrito estrutural.
CASO X

Bolhas e descolamento no revestimento de borracha

▼
A) Causa: Cortes ou pequenos furos no revestimento que permitem que finos e umidade se entranhem e danifiquem a carcaça.
Correção: Executar reparos imediatos no local, vulcanizando a frio ou a quente antes que haja delaminação progressiva da carcaça.
CASO XI

Desgaste uniforme e prematuro do revestimento em contato com o material

▼
A-D) Causa: Roletes de retorno sujos ou travados; cobertura inadequada à abrasividade; carregamento transversal no chute ou ondulação excessiva entre roletes.
Correção: Instalar roletes de retorno de anéis de borracha; encaminhar a carga na direção e velocidade da correia; diminuir o vão entre cavaletes.
CASO XII

A correia levanta-se dos roletes, abaulando-se no centro

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A) Causa: Contaminação por óleo que incha a borracha.
Correção: Evitar contaminação por óleo; se necessário, adotar correia com composto especial resistente a óleos (nitrílica / OR).
B) Causa: Distância insuficiente de transição entre o tambor de descarga e o 1° rolete de carga.
Correção: Aumentar a distância de transição e instalar roletes de transição graduados.
CASO XIII

O revestimento incha em pequenas manchas ou em forma de linhas

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A-B) Causa: Derrame de óleo/graxa ou lubrificação excessiva dos roletes que vaza pelas vedações labirinto.
Correção: Diminuir a dosagem de graxa nos roletes (não superlubrificar) e limpar resíduos de lubrificantes.
CASO XIV

Emendas mecânicas soltas ou arrancando grampos

▼
A-D) Causa: Mofo na lona; grampo de tamanho incompatível; tensão muito alta ou calor.
Correção: Proceder ao reaperto obrigatório dos grampos após as primeiras horas de uso; adotar emendas vulcanizadas a quente em altas tensões.
CASO XV

Rasgos transversais que aparecem imediatamente atrás das emendas mecânicas

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A) Causa: Grampos mecânicos muito compridos ou rígidos para o diâmetro do tambor.
Correção: Substituir os grampos por modelo mais curto/flexível, aumentar o diâmetro do tambor ou vulcanizar a emenda.
CASO XVI

Rasgos longitudinais que atravessam parcial ou totalmente a correia

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A-B) Causa: Corpo estranho metálico preso na calha ou a correia sai lateralmente e raspa na estrutura.
Correção: Instalar chaves de desalinhamento de emergência, chaves detectoras de rasgo e separadores magnéticos suspensos.
CASO XVII

Rupturas em crescente ou manchas esponjosas (apodrecimento da carcaça)

▼
A) Causa: Bolor e umidade entranhada em carcaças com fibras vegetais (algodão).
Correção: Substituir por correia de moderna carcaça 100% sintética poliéster/poliamida (EP) imune a apodrecimento.
CASO XVIII

Rupturas longitudinais na carcaça sem avaria visível nas coberturas externa/interna

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A) Causa: A correia desvia lateralmente, sobe na longarina da estrutura e passa dobrada/enrugada pelo tambor de retorno.
Correção: Instalar chaves de desalinhamento de emergência com desarme automático do acionamento e realinhar cavaletes.
CASO XIX

Endurecimento, vitrificação e rachaduras na cobertura por calor

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A) Causa: Temperatura do material ou do ambiente superior ao limite da borracha padrão.
Correção: Instalar correia com cobertura especial para alta temperatura (composto Butílico / EPDM - Faço pág. 2.126) ou proteger com cobertura ventilada.
🛢️

Plano de Lubrificação Preventiva (Manual Faço Tab. 9-06 - Pág. 9.22)

Periodicidades de lubrificação, tipos recomendados e equivalências dos fabricantes industriais:

Componente Tipo de Lubrificante Intervalo Faço Shell Mobil Texaco Ipiranga
Mancais de Rolamento dos Tambores Graxa Lítio NLGI-2 com aditivo EP 500 a 1000 h Alvania EP 2 Mobilux EP 2 Multifak EP 2 Ipiflex EP 2
Roletes de Lubrificação Periódica Graxa Lítio NLGI-2 1200 a 2400 h Alvania R2 Mobilgrease MP Marfak Multi Isaflex 2
Redutores de Velocidade Industriais Óleo Mineral AGMA-5 / AGMA-6 (ISO VG 220/320) 2500 a 5000 h Omala 220 / 320 Mobilgear 630 / 632 Meropa 220 / 320 Ipiranga SP 220
Esticador de Parafuso / Fuso Manual Graxa Grafitada ou Lítio EP 300 a 600 h Retinax HD Mobilgrease Special Marfak Heavy Duty Ipiflex G

Guia Didático de Engenharia: Fórmulas e Parâmetros

Fundamentação teórica, formulações matemáticas e metodologias normativas organizadas por cada módulo de cálculo do transportador.

MÓDULO DE CÁLCULO 1

📦 Capacidade do Transportador & Geometria da Calha

Metodologia de vazão volumétrica máxima admissível (Ctabela), geometria dos roletes de carga (planos, 2 e 3 rolos), distância à borda livre (dp), fator de redução por inclinação (K), limites de velocidade e propriedades normativas dos materiais (Tabelas 1-01 a 1-06).

1.1 Geometria da Calha, Seção Transversal e Capacidade do Transportador (Tabelas Normativas 1-03 a 1-06)

A capacidade de transporte de uma correia de borracha é diretamente proporcional à área da sua seção transversal útil de material, à velocidade linear de deslocamento (V) e ao peso específico aparente do material (γ). A seção transversal é formada pela conformação da correia sobre os cavaletes de roletes, gerando uma calha contínua.

C = Ctabela × V × K [m³/h] | Q = C × γ [t/h] | A = A₁ + A₂ [m²]

📐 Tipos de Calha e Geometria da Carga (Plano, 2 Rolos Iguais e 3 Rolos Iguais)

Tipos de Calha: Plano, 2 Rolos Iguais e 3 Rolos Iguais Esquema padronizado de calha: Plano (0°), 2 Rolos Iguais (calha em V) e 3 Rolos Iguais (calha trapezoidal) com ângulo de sobrelevação (α), inclinação dos rolos (β) e borda livre (dp)
β = Ângulo da Calha Inclinação dos roletes laterais (0° planos, 20° calha suave, 35° padrão industrial, 45° alta capacidade de grãos).
dp = Borda Livre Distância padrão do material à borda: dp = 0,055·B + 0,9". Garante margem de segurança contra transbordamento.
α = Acomodação Ângulo de sobrelevação do material em movimento sobre a correia (tipicamente de 10° a 15° menor que o ângulo de repouso estático devido à vibração).
C = Vazão Volumétrica Capacidade horária em m³/h: C = Ctabela × V × K.
λ = Inclinação (K) Ângulo longitudinal do transportador com a horizontal, gerando o fator de redução de capacidade K (Tabela 1-03).

Detalhamento dos Parâmetros e Metodologia Construtiva da Calha:

  1. Formação da Calha e Tipos de Roletes:
    • Roletes Planos (0°): Correia repousa sobre rolo horizontal único. Usada para materiais com alta fluidez, trippers de descarga contínua ou transporte de fardos/sacos. Capacidade volumétrica reduzida.
    • Calha com 2 Rolos (20°): Utilizada para correias estreitas (16" a 20") ou serviços leves onde cavaletes triplos teriam roletes excessivamente curtos.
    • Calha com 3 Rolos (20°, 35° e 45°): Configuração predominante na mineração, britagem e indústria de granéis sólidos. Possui um rolo central horizontal de comprimento aproximado B/3 e dois rolos laterais inclinados a β. A calha a 35° é o padrão universal industrial que equilibra excelente capacidade volumétrica com boa flexibilidade transversal da carcaça da correia sem risco de fadiga por delaminação nas dobras.
  2. Distância Padrão à Borda Livre (dp): Para compensar oscilações de desalinhamento lateral transitório da correia, trepidação sobre cavaletes e variações instantâneas de alimentação, a norma adota a equação empírica:
    dp = 0,055 × B + 0,9 [pol] (com B em polegadas). Se a largura for 24", dp = 0,055 × 24 + 0,9 = 2,22" (≅ 56 mm). O granel nunca deve atingir a borda física da borracha.
  3. Ângulo de Acomodação Dinâmico (α): Durante o percurso sobre os cavaletes, a correia sofre contínuas vibrações harmônicas que tendem a espalhar e nivelar o material. Por essa razão física, o ângulo de acomodação α é sempre de 10° a 15° inferior ao ângulo de repouso natural estático medido em pilhas paradas no solo.
  4. Capacidade Volumétrica Normalizada (Ctabela - Tabela 1-04): Volume teórico transportado a 1,0 m/s em correia perfeitamente horizontal, integrando a área A = A₁ + A₂ vezes o deslocamento unitário.
  5. Fator de Redução por Inclinação (K - Tabela 1-03): Quando a esteira opera inclinada (ângulo λ), a gravidade deforma a acomodação do material, reduzindo a seção útil. O fator K varia de 1,00 (horizontal) a 0,71 (para inclinações de até 24°).
  6. Velocidade Linear Máxima (Vmax - Tabela 1-05): Limitada para prevenir desgaste por arraste, poeira suspensa e degradação da correia nas curvas e guias de carga.
  7. Granulometria Admissível (Tabela 1-06): Estabelece a dimensão máxima dos torrões e blocos para evitar bloqueios mecânicos e corte da carcaça.

1.2 Critério de Comparativo da Correia Instalada em Campo (Taxa de Ocupação da Calha)

Ao realizar uma auditoria de processo ou aumento de produção, compara-se a vazão requerida (Qreq) contra a capacidade máxima admissível da correia existente em campo (Qinst):

Taxa de Ocupação da Calha = (Qreq / Qinst) × 100%

Interpretação e Critérios de Aceitação:

  • Ocupação ≤ 80% — Ótima / Conforme: Operação ideal com margem de segurança folgada (20% a 40%), prevenindo derramamentos mesmo durante picos momentâneos de alimentação.
  • 80% < Ocupação ≤ 100% — Aceitável / Carga Plena: A esteira opera em seu limite de projeto. Requer alimentação centralizada homogênea e boa vedação de saias de borracha.
  • Ocupação > 100% — Não Atende / Subdimensionada: Risco iminente de transbordamento contínuo, soterramento de cavaletes e quebra mecânica. Soluções: aumentar a velocidade (V) ou aumentar a largura da correia.

1.3 Propriedades dos Materiais Transportados: Bagaço de Cana, Açúcar, Grãos e Minérios (Tabelas 1-01 e 1-02)

O dimensionamento volumétrico e a velocidade máxima admissível dependem diretamente das propriedades intrínsecas do material granel transportado, padronizadas nas Tabelas 1-01 e 1-02 do manual técnico:

  1. Sistema de Codificação CEMA / Técnico (Tabela 1-01):
    • Tamanho / Granulometria (A a E): A = Muito fino (100 mesh); B = Fino (≤ 1/8"); C = Granular (≤ 1/2"); D = Em pedaços (> 1/2"); E = Irregular, fibroso e altamente agregável.
    • Fluidez e Ângulo de Repouso (1 a 4): 1 = Muito fácil (< 19°); 2 = Fácil (20° a 29°); 3 = Médio (30° a 39°); 4 = Difícil (≥ 40°).
    • Abrasividade (5 a 8): 5 = Não abrasivo; 6 = Abrasivo; 7 = Muito abrasivo; 8 = Muito cortante.
    • Características Adicionais (L a Z): U = Higroscópico; V = Pegajoso/pastoso; X = Compactável; Y = Muito leve e fibroso; etc.
  2. Bagaço de Cana-de-Açúcar (Código E45Y):
    • Classificação: Material irregular e fibroso (E), escoamento difícil com alto atrito interno (4 - repouso 45°), não abrasivo (5) e fibroso/entrelaçado (Y).
    • Densidade Aparente (γ): Na literatura e na Tabela 1-02, o bagaço seco/solto varia de 0,10 a 0,20 t/m³ (média 0,15 t/m³ ou 7-10 lb/ft³). Nas usinas sucroalcooleiras brasileiras, o bagaço úmido que sai dos ternos de moenda/difusor (~50% de umidade) possui densidade típica entre 0,35 e 0,45 t/m³ (adotado 0,40 t/m³).
    • Ângulo de Acomodação (α): Devido à retenção mecânica das fibras entrelaçadas, o ângulo dinâmico de acomodação na calha é de 25° (podendo chegar a 30° em correias calhadas a 35° ou 45°).
    • Velocidade Recomendada: Por ser leve e não abrasivo, suporta velocidades elevadas (2,5 a 4,0 m/s), mas exige calha profunda (35° ou 45°) e capota corta-vento para evitar perdas por arraste aerodinâmico.
  3. Açúcar Cristal, Refinado e Bruto (Códigos B35PU, C35X e C26):
    • Açúcar Refinado Granuloso Seco (B35PU): γ = 0,80 a 0,90 t/m³ (adotado 0,85 t/m³); repouso 30° a 44°; ângulo de acomodação na esteira α = 20°; não abrasivo; higroscópico (U).
    • Açúcar Refinado Granuloso Úmido (C35X): γ = 0,90 a 1,00 t/m³ (adotado 0,95 t/m³); α = 20°; não abrasivo.
    • Açúcar Bruto / VHP (Very High Polarization): Transportado em larga escala na cadeia sucroenergética e terminais portuários a granel. Densidade aparente média de 0,90 t/m³ e α = 20°.
    • Açúcar da Polpa de Beterraba Seco (C26): γ = 0,20 t/m³; repouso 20° a 29°; ângulo de acomodação α = 10°; pouco abrasivo (código 6).
  4. Cana de Açúcar Verde e Picada:
    • Cana Picada a Faca (E45V): γ = 0,20 a 0,30 t/m³ (0,25 t/m³); repouso 45°; α = 25°; não abrasiva.
    • Cana Verde Inteira (B46TX): γ = 0,90 a 1,00 t/m³ (0,95 t/m³); repouso 45°; α = 25°; pouco abrasiva.

1.4 Tabelas Técnicas de Referência — Capacidade do Transportador (Manual Faço)

Abaixo estão consolidadas as tabelas normativas utilizadas para o cálculo de capacidade, área transversal da calha e limitações operacionais:

Tabela 1-03: Fator de Redução por Inclinação (K)

Fator empírico que reduz a capacidade volumétrica da correia em função do aclive ou declive longitudinal:

Inclinação (°) 0° a 2° 3° a 5° 6° a 8° 9° a 11° 12° a 14° 15° a 17° 18° a 20° 21° a 24°
Fator K 1,00 0,98 0,95 0,91 0,87 0,83 0,78 0,71

Tabela 1-04: Capacidade Volumétrica Base (Ctabela em m³/h a V = 1,0 m/s)

Vazão para correia horizontal a 1,0 m/s conforme tipo e ângulo dos roletes (α = 20° acomodação padrão):

Largura B Plano (0°) 2 Rolos (20°) 3 Rolos (20°) 3 Rolos (35°) Padrão 3 Rolos (45°) Profundo
16" (400 mm)18 m³/h28 m³/h32 m³/h42 m³/h46 m³/h
20" (500 mm)31 m³/h48 m³/h55 m³/h73 m³/h80 m³/h
24" (600 mm)48 m³/h74 m³/h85 m³/h113 m³/h125 m³/h
30" (750 mm)82 m³/h125 m³/h145 m³/h193 m³/h212 m³/h
36" (900 mm)126 m³/h192 m³/h222 m³/h295 m³/h326 m³/h
42" (1050 mm)178 m³/h272 m³/h315 m³/h420 m³/h464 m³/h
48" (1200 mm)242 m³/h368 m³/h426 m³/h568 m³/h628 m³/h
54" (1400 mm)316 m³/h480 m³/h556 m³/h742 m³/h820 m³/h
60" (1500 mm)400 m³/h608 m³/h705 m³/h940 m³/h1040 m³/h
72" (1800 mm)600 m³/h910 m³/h1055 m³/h1410 m³/h1560 m³/h

Tabela 1-05 e 1-06: Velocidades e Granulometrias Máximas Admissíveis

Largura B Vmax Granéis Leves (Grãos/Bagaço) Vmax Granéis Abrasivos (Minério/Brita) dmax Granulometria Homogênea dmax Torrões Misturados (máx 10%)
16" a 20"2,50 m/s1,50 m/s50 mm90 mm
24" a 30"3,50 m/s2,30 m/s90 mm150 mm
36" a 42"4,00 m/s2,80 m/s150 mm250 mm
48" a 54"4,50 m/s3,20 m/s200 mm350 mm
60" a 72"5,00 m/s3,80 m/s280 mm450 mm
MÓDULO DE CÁLCULO 2

⚡ Potência & Acionamento do Transportador

Dimensionamento analítico pelo Método Prático Industrial com decomposição nas parcelas fundamentais (Nv a vazio, N1 horizontal, Nh elevação, Ng guias laterais e rendimento mecânico η), rotação e torque no tambor, inércia de partida e freio contra-recuo (Backstop).

2.1 Dimensionamento de Potência pelo Método Prático Industrial (Nv, N1, Nh, Ng e Rendimento η)

O dimensionamento analítico de transportadores de correia decompõe a resistência total ao movimento em quatro parcelas fundamentais e independentes de potência efetiva:

Ne = V × (Nv + Ng) + (Q / 100) × (N1 ± Nh) [HP]

Onde as parcelas representam:

  • Nv (Potência a Vazio): Trabalho necessário para vencer o atrito mecânico de rolamento dos roletes de carga e retorno, a flexão elástica contínua da correia de borracha e o atrito dos mancais dos tambores operando a uma velocidade base de 1,0 m/s, tabelado em função do comprimento entre centros (L) e da largura da correia (B).
  • N1 (Deslocamento Horizontal da Carga): Potência necessária para movimentar o fluxo de material horizontalmente para cada 100 t/h de capacidade, tabelado em função do comprimento L.
  • Nh (Elevação Vertical da Carga): Trabalho estático gravitacional requerido para elevar a carga por uma altura vertical H = L × sen(α):
    Nh = (Q × H) / 270 [HP]
    Nota técnica: Para esteiras descendentes (declive gerador), a parcela Nh atua a favor do movimento, subtraindo potência da equação.
  • Ng (Atrito em Guias Laterais / Saias de Vedação): Resistência adicional gerada pelo atrito do material contra as borrachas de vedação na zona de carregamento. Para trechos curtos de guias (Lg ≤ 5 m), o atrito é desprezível (Ng = 0). Para trechos superiores a 5 m, calcula-se o acréscimo proporcional de atrito.

A potência nominal requerida do motor elétrico considera o rendimento mecânico da cadeia de transmissão:

N_motor = Ne / η [HP ou cv]
Pe = Ne × 0,7457 [kW] | P_motor = N_motor × 0,7355 [kW]

O rendimento típico η varia conforme a tipologia do redutor: 0,94 para redutores de engrenagens helicoidais de eixos paralelos / shaft-mounted; 0,92 para redutor acoplado em base; 0,88 quando há transmissão intermediária por correias em V; e 0,75 para redutores de coroa e rosca sem-fim.

2.2 Potência Nominal de Placa vs. Potência Efetiva de Regime (Pplaca ≠ P)

Muitas vezes, ao calcular o contrapeso aplicando a potência total da placa do motor (ex: 15 cv ou 40 cv), o resultado teórico de Euler fica muito acima do contrapeso real do fabricante (podendo dar o dobro ou o triplo!). Isso ocorre por um motivo comercial clássico:

  • Motores elétricos são comprados por catálogo comercial: A potência de catálogo precisa vencer o torque de partida da correia parada cheia de material e oferecer margem térmica.
  • A esteira em regime consome muito menos: Uma esteira com motor de 40 cv (30 kW) pode consumir em regime contínuo apenas 9,5 kW (~13 cv).
  • Consequência no Contrapeso: Se dimensionarmos o contrapeso pelos 30 kW plenos de placa, teremos um contrapeso de 1.070 kg! Mas para os 9,5 kW reais da carga de projeto, o contrapeso necessário é de apenas 365 kg.
💡 Regra Prática de Engenharia: Ao dimensionar o contrapeso sem o desenho do fabricante, utilize a Potência Efetiva de Regime ou o Cálculo Analítico CEMA (baseado na capacidade em t/h e inclinação), evitando sobrecarregar os mancais e a carcaça da correia com peso excessivo.

2.3 Cinemática do Acionamento: Rotação, Relação de Redução e Torque no Tambor

A cinemática do acionamento conecta a rotação síncrona do motor elétrico à velocidade tangencial exigida pela correia transportadora:

  1. Rotação do Tambor Motriz (nt): Determinada pelo diâmetro externo do tambor (Dt, em metros) e pela velocidade da correia (V, em m/s):
    nt = (60 × V) / (π × Dt) [rpm]
    Exemplo real: Para V = 1,30 m/s e tambor Dt = 400 mm = 0,40 m ⟹ nt = (60 × 1,30) / (π × 0,40) = 62,1 rpm.
  2. Relação de Redução Requerida (i): Relação entre a rotação nominal do motor (ex: motor de 4 polos a ~1750 rpm) e o tambor:
    i = n_motor / nt : 1
    Exemplo: 1750 / 62,1 = 28,2 : 1 (redutor com redução próxima a 28:1).
  3. Torque Nominal no Eixo do Tambor Motriz (Mt): Momento torsor que o eixo do tambor deve suportar continuamente em regime permanente:
    Mt = (Ft × Dt) / 2 [kgf·m] = (716,2 × Ne) / nt [kgf·m]
    Mt [N·m] = Mt [kgf·m] × 9,80665
    Este torque dimensiona o eixo de saída do redutor, a chaveta e o acoplamento do tambor motriz.

2.4 Avaliação Dinâmica de Partida com Transportador Cheio (Rampa Suave vs Partida Direta)

A condição operacional mais crítica para o dimensionamento estrutural e vida útil da esteira ocorre durante a partida com o transportador completamente carregado (ex: religamento após desarme em carga ou parada de emergência).

Nesse instante, o sistema precisa vencer simultaneamente o atrito estático de regime e a inércia de aceleração de todas as massas em rotação e translação:

Massa Total Acelerada: Wt ≅ [2 × qb + qm + qr] × L [kg]
Força Inercial de Aceleração: Facel = (Wt × V) / (g × ta) [kgf]
Força de Partida na Correia: F_partida = Ft_regime + Facel [kgf]

Onde ta é o tempo de rampa de aceleração e g = 9,81 m/s².

Comparativo Técnico: Partida Direta (DOL) vs Soft-Starter / Inversor de Frequência:

Modo de Partida Tempo Aceleração (ta) Pico de Torque / Tração Impacto na Instalação
Partida Direta (DOL)
Chave contactora simples
Extremamente curto
1,5 a 3,0 s
Pico severo de torque
180% a 250% (1,8x a 2,5x)
Golpe de aríete dinâmico na correia; risco de ruptura da emenda vulcanizada; tranco nos dentes do redutor; sobretensão na rede elétrica.
Soft-Starter / Inversor
Rampa eletrônica ajustada
Controlado e suave
8,0 a 15,0 s
Torque limitado controlado
120% a 140% (1,2x a 1,4x)
Preserva emendas da correia; aceleração homogênea sem esticamento brusco; máxima vida útil das engrenagens e rolamentos do redutor.

2.5 Freio Contra-Recuo (Backstop): Critério de Necessidade e Torque de Travamento

O freio contra-recuo (Backstop) é um componente de segurança crítica instalado no contra-eixo do redutor ou no eixo motriz do tambor. Sua função é permitir o movimento livre no sentido normal de transporte e travar instantaneamente qualquer tendência de giro retrógrado quando o motor é desenergizado.

Quando o Contra-Recuo é Obrigatório?

Em transportadores inclinados ascendentes (α > 0), a carga depositada sobre a correia exerce uma força gravitacional contínua puxando o conjunto para trás. O contra-recuo é indispensável sempre que a força de elevação superar as forças resistentes de atrito:

Condição de Recuo Espontâneo: Q_carga × H > Resistência_atrito_vazio

Na prática de engenharia, para correias com inclinação superior a 2,5° a 3,0°, a gravidade supera o atrito estático. Se o motor for desligado sem contra-recuo, todo o material descerá em avalanche em direção à caçamba traseira, causando soterramento do chute, quebra de cavaletes e grave risco à segurança dos operadores.

Dimensionamento do Torque Estático de Retenção (Zc):

Zc = 1,5 × [(Q / 100) × Nh - V × Nv] × [716,2 / nt] [kgf·m]

O torque estático especificado do dispositivo de contra-recuo deve ser selecionado no catálogo do fabricante com um fator de segurança de no mínimo FS ≥ 1,5 em relação ao torque de recuo da carga plena instalada.

2.5 Tabelas Técnicas de Referência — Potência & Acionamento (Manual Faço)

Parâmetros e tabelas fundamentais utilizados no cálculo analítico da potência efetiva (Ne), fatores de atrito e perdas mecânicas:

Tabela 1-14: Fator de Atrito e Resistência ao Deslocamento (Fx)

Representa o atrito dos roletes e da flexão da correia em função do comprimento entre centros (L):

Distância L (m) 10 m 20 m 30 m 50 m 75 m 100 m 150 m 200 m ≥ 300 m
Fator Fx 0,035 0,030 0,028 0,025 0,023 0,022 0,020 0,019 0,018

Tabela 1-17: Comprimento Fictício Adicional dos Tambores (L0)

Compensação em metros de esteira equivalente para perdas por atrito nos mancais dos tambores e raspadores:

Largura B 16" a 20" 24" a 30" 36" a 42" 48" a 54" 60" a 72"
L0 Padrão (2 tambores) 30 m 40 m 50 m 65 m 80 m
Por Tambor Adicional (Desvio/Esticador) + 6 m + 8 m + 10 m + 13 m + 16 m

Tabela 1-20: Fatores de Potência por Guias de Carga e Raspadores (Ng e Nr)

Largura da Correia 16" a 24" 30" a 36" 42" a 48" 54" a 60" 72"
Ng por Metro de Guia de Carga (HP/m)0,0500,0750,1000,1300,180
Nr por Raspador de Borracha (HP)0,300,500,801,101,60

Tabela 1-34: Rendimento Mecânico Típico das Transmissões (η)

Tipo de Transmissão / Redutor Rendimento (η) Descrição Técnica
Redutor de Engrenagens Helicoidais (Eixos Paralelos)0,94 a 0,962 estágios com mancais de rolamentos de alta eficiência.
Redutor de Eixos Ortogonais (Cônico-Helicoidal)0,92 a 0,94Padrão em acionamentos compactos perpendiculares à esteira.
Acoplamento Hidráulico (Fluido)0,95 a 0,97Perda por escorregamento hidrodinâmico em regime pleno.
Transmissão por Correias em V (Motor ao Redutor)0,93 a 0,95Requer manutenção periódica de alinhamento e tensão.
MÓDULO DE CÁLCULO 3

⚖️ Peso de Esticadores & Contrapeso (Tensionamento de Euler)

Física do atrito tambor-correia, dedução das tensões T1 (lado tenso), T2 (lado frouxo) e T3 (carrinho tensor), princípio mecânico G = 2 × T3, alívio gravitacional do retorno inclinado, flecha máxima entre roletes (critério CEMA sag 2%) e cubagem dos blocos de concreto.

3.1 O que é a Força Tangencial do Acionamento (Ft) e Fontes da Potência Efetiva

A força tangencial Ft (ou Te) representa o esforço periférico efetivo transmitido pelo motor elétrico à correia através do tambor de acionamento para movimentar o transportador e sua carga.

Ft = (102 × P) / V [kgf] ou Te = (75 × Ne) / V [kgf]

Origem da constante 102 e 75:

  • 1 kW equivale a 1000 Joules/s = 1000 N·m/s. Com g = 9,80665 m/s² ⟹ 1000 / 9,80665 ≅ 101,97 ≅ 102 kgf·m/s por kW.
  • 1 HP / cv equivale a 75 kgf·m/s ⟹ (75 × Ne) / V.

Fontes para Obtenção da Potência Efetiva (P) no Sistema:

  1. Fonte 1 — Método Prático Industrial (Padrão Recomendado): Baseado nas parcelas paramétricas Nv (vazio), N1 (horizontal), Nh (elevação vertical) e Ng (guias laterais). Reflete a demanda analítica real do transportador.
  2. Fonte 2 — Cálculo Analítico CEMA / DIN 22101: Decomposição física exata da gravidade no plano inclinado (H = L × sen(α)) e atrito dinâmico dos roletes de carga e retorno.
  3. Fonte 3 — Potência Efetiva de Regime (Taxa de Carregamento): Estimativa da potência absorvida real a partir de uma porcentagem da placa do motor (ex: 25% a 60% para motores superdimensionados).
  4. Fonte 4 — Potência Plena de Placa (100% Motor): Adota 100% da potência elétrica de catálogo instalada (abordagem conservadora de segurança máxima).

3.2 A Equação de Euler e a Relação de Tensões Críticas (T1 / T2)

Para que o tambor consiga tracionar a correia sem escorregar (patinar), deve haver uma tensão mínima no lado de saída da correia (T2, lado frouxo). O físico Leonhard Euler estabeleceu a equação fundamental de atrito de correias flexíveis em tambores:

T1 / T2 = e^(μ × θ)

Onde:

  • T1: Tensão no lado tenso da correia (lado que chega no tambor motor).
  • T2: Tensão no lado frouxo da correia (lado que sai do tambor motor).
  • e: Base dos logaritmos naturais (≅ 2,71828).
  • μ: Coeficiente de atrito entre o revestimento do tambor e a correia de borracha.
  • θ: Ângulo de abraçamento (arco de contato entre a correia e o tambor) em radianos.
💡 Dica de Engenharia: Um tambor revestido com borracha ranhurada (μ = 0,35) e ângulo de abraçamento de 210° (3,665 rad) gera e^(0,35 × 3,665) = 3,61. Se o tambor fosse de aço liso seco (μ = 0,25), o fator seria apenas e^(0,25 × 3,665) = 2,50, exigindo um contrapeso muito mais pesado!

3.3 Dedução Passo a Passo das Tensões T2 e T1

Do equilíbrio de forças do acionamento, sabemos que a força útil transferida é a diferença entre as duas tensões:

Ft = T1 - T2

Substituindo T1 = e^(μθ) × T2 na equação acima:

Ft = [e^(μθ) - 1] × T2 ⟹ T2 = Ft / [e^(μθ) - 1]

Assim, uma vez obtido T2, calcula-se imediatamente T1:

T1 = e^(μθ) × T2 (ou T1 = Ft + T2)

3.4 Por que o Contrapeso Total G é igual a 2 × T3?

Em um esticador por gravidade convencional (vertical ou horizontal), o tambor tensor é mantido em suspensão por duas pernas paralelas da correia transportadora:

G = T3_esquerda + T3_direita = 2 × T3

Como o tambor tensor está posicionado no trecho de retorno logo após o acionamento, a tensão na correia nesse ponto é aproximadamente igual à tensão do lado frouxo T2 (ou seja, T3 = T2).

Logo, o contrapeso teórico total requerido é:

G_teórico = 2 × T2

3.5 A Física da Inclinação e o Desnível Vertical no Lado de Carga

Em transportadores inclinados em aclive, a inclinação responde pela maior parcela da força requerida no acionamento. O cálculo da força tangencial real envolve:

Desnível Vertical: H = L_cc × sen(α)

Onde L_cc é a distância centro a centro e α é o ângulo de inclinação.

A carga linear de material transportado sobre a correia é obtida a partir da capacidade:

qm = (Capacidade [t/h] × 1000) / (3600 × V [m/s]) [kg/m]

A força necessária puramente para erguer a carga é:

F_elevação = qm × H [kgf]

Enquanto a resistência ao atrito dos roletes ao longo do comprimento é atenuada pelo cosseno da inclinação:

F_atrito = f × L_cc × cos(α) × (2×qb + qm + q_roletes) [kgf]

3.6 Efeito Gravitacional da Correia Inclinada no Retorno (Alívio de T3)

Um dos erros mais comuns em livros didáticos básicos de mecânica é assumir que a tensão no tambor tensor é igual à tensão no lado frouxo do acionamento (T3 = T2). Isso só é verdade para esteiras rigorosamente horizontais!

Em transportadores inclinados em aclive com acionamento na cabeça e esticador por gravidade posicionado no retorno (torre vertical ou cauda), a física da Norma CEMA e DIN 22101 estabelece:

  1. Tensão T2 no Tambor Motriz (Cabeça): Calculada pela equação de Euler para garantir que a correia não patine sob torque: T2 = Ft / (e^(μθ) - 1). No nosso transportador de 40 cv / 64 m / 13,5° em regime analítico de 120 t/h (Ft = 715 kgf), temos: T2 = 274 kgf.
  2. Ação Gravitacional no Retorno Descendente: A correia vazia (qb = 8,5 kg/m) desce a rampa de 13,5°. Essa massa de correia inclinada atua como um tensionador natural permanente puxando morro abaixo:
    ΔT_ret = qb × L_ret × [sen(α) - f_rolete × cos(α)] [kgf]
    Substituindo com L_ret ≈ 51,2 m (80% do percurso até a torre tensora), α = 13,5° e f = 0,022:
    ΔT_ret = 8,5 × 51,2 × [0,2334 - 0,022 × 0,9824] = 435,2 × 0,2118 ≅ 91,5 kgf
  3. Tensão Necessária no Tambor Tensor (T3): Como a gravidade da correia já fornece 91,5 kgf de tração descendo o morro, o contrapeso só precisa fornecer a diferença para manter os 274 kgf lá em cima no tambor motriz:
    T3 = T2 - ΔT_ret = 274 - 91,5 = 182,5 kgf ≅ 183 kgf
  4. Contrapeso Teórico Mínimo Necessário (G): Como o carrinho tensor é sustentado por 2 pernas de correia (relação 2:1):
    G_teórico = 2 × T3 = 2 × 182,5 = 365 kgf (Exatamente igual ao projeto do fabricante!)
⚠️ O Erro da Simplificação Horizontal (T3 = T2): Se o engenheiro ignorar a inclinação do retorno e adotar cegamente G = 2 × T2, calculará G = 2 × 274 = 548 kg! Isso gera um superdimensionamento de 50%, sobrecarregando desnecessariamente os rolamentos dos tambores, eixos e a emenda da correia.

3.7 Critério CEMA de Flecha Máxima entre Roletes (Sag Admissível de 2% a 3%)

O contrapeso não tem apenas a função de impedir que o tambor motriz patine; ele também é responsável por manter a correia esticada entre os cavaletes de roletes.

Pela norma CEMA, a flecha máxima admissível (catena) da correia entre dois cavaletes consecutivos sob carga máxima não deve exceder 1,5% a 2,0% do vão entre roletes (geralmente 1,0 m a 1,2 m):

T_mín,flecha = [a0 × (qb + qm)] / [8 × (y / a0)] [kgf]

Se o contrapeso for excessivamente leve, a correia "embarrigará" entre os roletes, provocando vazamento de material pelas saias de vedação, vibração e aumento violento da resistência ao rolamento.

3.8 Engenharia Reversa do Contrapeso do Fabricante

Quando você possui apenas o desenho físico do contrapeso do fabricante (ex: G = 365 kgf ou G = 400 kgf), você pode fazer o caminho inverso para descobrir exatamente qual foi a potência de projeto adotada:

  1. Obtenha a tensão no tambor tensor: T3 = G / 2 (ex: 365 / 2 = 182,5 kgf).
  2. Some o alívio gravitacional do retorno se houver inclinação: T2 = T3 + ΔT_ret (ex: 182,5 + 91,5 = 274 kgf, ou 300 kgf adotado pelo fabricante).
  3. Calcule a força tangencial correspondente por Euler: Ft = (e^(μθ) - 1) × T2 (ex: 2,61 × 274 = 715 kgf).
  4. Calcule a potência líquida de projeto: P = (Ft × V) / 102 [kW] (ex: (715 × 1,30) / 102 = 9,11 kW ≅ 12,4 cv).

3.9 Como Calcular o Peso Próprio da Correia (qb) e Catálogo de Correias

O peso próprio linear da correia (qb, medido em kg/m) é determinado pela sua largura física e pela sua estrutura interna, composta por duas camadas de coberturas de borracha e pela carcaça têxtil ou de cabos de aço:

  1. Cobertura Superior (Carga): Protege a correia contra impacto, corte e abrasão do material (ex: 3/16" = 4,76 mm ou 1/4" = 6,35 mm).
  2. Cobertura Inferior (Tambor): Protege a correia no contato com os tambores de acionamento e roletes de retorno (ex: 1/8" = 3,18 mm ou 1/16" = 1,58 mm).
  3. Carcaça Resistente: Suporta a tração longitudinal. É formada por lonas de poliéster-nylon (PN / EP) ou cabos de aço longitudinais (ST).

Fórmula Analítica de Cálculo (Norma ABNT NBR 6157 / DIN 22102):

Espessura Total de Borracha: e_borracha = e_superior + e_inferior [mm]
Massa das Coberturas: M_borracha = e_borracha × 1,15 [kg/m²]
Massa Total por Metro Quadrado: M_total = M_borracha + M_carcaça [kg/m²]
Peso Linear: qb = M_total × Largura_correia [m] [kg/m]

Exemplo Real da Nossa Correia de 24" (ETC01 / ETC02):

  • Largura: 24" = 0,610 m
  • Capas: 3/16" (4,76 mm) + 1/8" (3,18 mm) ⟹ e_borracha = 7,94 mm
  • Massa das capas: 7,94 × 1,15 = 9,13 kg/m²
  • Massa da carcaça 3 lonas PN 2200 + ligantes: 4,77 kg/m²
  • Massa total: 9,13 + 4,77 = 13,90 kg/m²
  • qb = 13,90 kg/m² × 0,610 m = 8,48 ≅ 8,50 kg/m

Tabela Técnica de Referência da Engenharia (kg/m por Largura):

Construção / Carcaça Capas (Sup × Inf) Massa (kg/m²) 16" 20" 24" 30" 36" 42" 48"
2 Lonas PN 1500 (Leve) 1/8" × 1/16" (4,8 mm) 9,5 kg/m² 3,8 4,8 5,8 7,2 8,6 10,1 11,5
3 Lonas PN 2200 (Padrão) 3/16" × 1/8" (7,9 mm) 13,9 kg/m² 5,6 7,1 8,5 10,6 12,7 14,8 17,0
4 Lonas PN 3000 (Pesada) 1/4" × 1/8" (9,5 mm) 18,3 kg/m² 7,4 9,2 11,2 14,0 16,8 19,6 22,4
4 Lonas PN 4000 (Severo) 5/16" × 1/8" (11,1 mm) 22,1 kg/m² 8,9 11,1 13,5 16,9 20,3 23,6 27,0
Cabo de Aço ST 1000 6 + 4 mm (10 mm) 29,5 kg/m² 12,0 15,0 18,0 22,5 27,0 31,5 36,0
⚡ Seleção Inteligente no Software: Na aba Dimensionamento, ao selecionar a Construção da Correia ou a Largura, o sistema calcula e atualiza automaticamente o valor de qb. Caso sua correia possua especificação especial sob encomenda, basta digitar diretamente o valor desejado no campo!

3.10 Como Interpretar os Resultados e Índices de Atendimento de Projeto

Status Faixa de Atendimento Diagnóstico Técnico
✅ CONFORME ≥ 98% a 105% Tensão correta. Contrapeso atende perfeitamente à especificação sem risco de patinagem nem sobrecarga.
⚠️ ALERTA 90% a 97% Contrapeso no limite mínimo. Pode funcionar com esteira vazia, mas corre risco de patinar na partida com carga máxima ou chuva.
❌ SUBDIMENSIONADO < 90% Tensão perigosamente insuficiente. Correia patinará, queimando a carcaça de borracha do tambor e causando paradas. Adicionar blocos imediatamente.

3.4 Tabelas Técnicas de Referência — Esticador & Contrapeso (Tensionamento de Euler)

Parâmetros normalizados para cálculo do coeficiente de atrito (μ), relação de Euler e alívio gravitacional:

Tabela: Coeficiente de Atrito Tambor-Correia (μ)

Superfície do Tambor Condição Seca Condição Úmida / Molhada Recomendação Técnica
Aço Liso Polidoμ = 0,25 a 0,30μ = 0,15 a 0,20Evitar em tambores motrizes de transportadores industriais com pó.
Revestimento de Borracha Lisaμ = 0,35μ = 0,25 a 0,30Bom para serviços leves e tambores de retorno com acionamento secundário.
Revestimento de Borracha Ranhurada (Espinha de Peixe / Losango)μ = 0,35 a 0,40μ = 0,30 a 0,35Padrão industrial: expulsa água e lama pelas ranhuras angulares.
Revestimento Cerâmico com Pastilhasμ = 0,45μ = 0,40Alta resistência à abrasão para mineração severa e correias de alta tensão.

Tabela: Relação de Euler T1/T2 = e^(μθ) e Fator K

Ângulo de Abraçamento (θ) 180° (π rad) 200° (3,49 rad) 210° (3,67 rad) [Padrão] 220° (3,84 rad) 240° (4,19 rad)
e^(μθ) para Borracha Ranhurada (μ = 0,35)3,003,393,613,844,33
Fator K = 1 / [e^(μθ) - 1]0,500,420,380,350,30
e^(μθ) para Tambor Liso (μ = 0,25)2,192,402,502,622,85
Fator K (Liso)0,840,710,670,620,54

Tabela: Posição do Esticador e Efeito Gravitacional no Ramo de Retorno

Posição do Esticador Fórmula de T3 Peso Teórico G Vantagens e Aplicação
Esticador na Cabeça (Junto ao Acionamento) T3 ≅ T2 G = 2 × T2 Ação direta junto ao tambor motriz. Não aproveita o alívio de desnível do retorno.
Esticador no Pé / Cauda (Tambor de Retorno Móvel) T3 = T2 - qb × H + Fr_ret G = 2 × T3 Muito compacto. Em esteiras inclinadas, a gravidade da correia no retorno ajuda a tensionar a cabeça.
Esticador Gravitacional Vertical Central T3 = T2 - qb × H_parcial G = 2 × T3 Excelente para transportadores longos (> 50 m) com curso livre para dilatação térmica.
MÓDULO DE CÁLCULO 4

🧵 Tensão na Correia, Carcaça & Lonagem (Manual Faço págs. 1.47 a 1.56)

Metodologia analítica para determinação das tensões nos pontos críticos do circuito (T1, T2, T3), forças lineares de material e correia (Wm, Wb), atrito de retorno (Fr), tensão mínima para flecha admissível de 2% (T0), seleção da carcaça e lonagem (Tad = Tu · B · nl), graus de revestimento RMA e diâmetros mínimos dos tambores.

4.1 Cargas Lineares, Atrito de Retorno e Tensão Mínima contra Flecha (T0)

Na metodologia do Manual Faço (pág. 1.47), a análise de tensões da correia requer a determinação rigorosa das seguintes grandezas lineares ao longo do percurso:

Wm = 0,277 × (Q / V) [kgf/m] | Fr = 0,015 × L × Wb [kgf]

Onde Wm é o peso do material por metro linear de correia carregada, Q é a vazão em t/h e V é a velocidade linear em m/s. O peso médio da correia Wb é obtido pela Tabela 1-27 em função da largura:

  • 16": 5,2 kgf/m  |  20": 6,5 kgf/m  |  24": 7,7 kgf/m  |  30": 11,9 kgf/m  |  36": 14,3 kgf/m
  • 42": 17,7 kgf/m  |  48": 20,2 kgf/m  |  54": 26,8 kgf/m  |  60": 29,8 kgf/m  |  72": 35,7 kgf/m  |  84": 41,6 kgf/m

Tensão Mínima para Controle da Flecha (T0): Para evitar que a correia sofra abaulamento excessivo entre dois cavaletes consecutivos de carga (espaçamento a), gerando trepidação do granel e perda de potência, a norma Faço define a tensão mínima admissível:

T0 = 6,25 × (Wm + Wb) × a [kgf] (Critério padrão de 2,0% de flecha máxima)

Para transportadores que exigem flecha de 3%, utiliza-se constante 4,17, e para 1% utiliza-se 12,50.

4.2 Fator de Abraçamento K e Atrito Tambor-Correia (Tabelas 1-28 e 1-29)

O fator K representa a relação de transmissão por atrito entre o tambor motriz e a correia flexível (pág. 1.48):

K = 1 / [e^(0,0174 · θ · μ) - 1]

Conforme a Tabela 1-28, para esticadores por gravidade automáticos:

  • Tambor Revestido de Borracha (μ = 0,35): 180° ⟹ K = 0,50  |  200° ⟹ K = 0,42  |  210° ⟹ K = 0,38  |  220° ⟹ K = 0,35  |  240° ⟹ K = 0,30  |  Dual 380° ⟹ K = 0,11
  • Tambor de Aço Liso (μ = 0,25): 180° ⟹ K = 0,84  |  210° ⟹ K = 0,66  |  240° ⟹ K = 0,54
  • Esticador por Parafuso (Rígido): Requer valores de K sensivelmente maiores (ex: 0,80 a 1,20 a 180°) devido à incapacidade de compensação automática de dilatações térmicas e assentamento elástico das lonas.

4.3 Arranjos de Tração e Fórmulas Analíticas (Casos 1 a 6 — págs. 1.49 a 1.51)

O manual detalha os 6 arranjos clássicos de tração na indústria. No arranjo mais comum (Caso 1: Horizontal ou Aclive com Acionamento na Cabeça), as tensões são governadas pelo confronto entre duas condições físicas:

Fórmula (A) - Atrito de Euler: T1 = (1 + K)·Te | T2 = K·Te | T3 = K·Te + Fr - H·Wb
Fórmula (B) - Flecha Mínima T0: T1 = Te + T0 + H·Wb - Fr | T2 = T0 + H·Wb - Fr | T3 = T0

Critério Governante de Engenharia:

  • Se T3(A) ≥ T0, a tensão natural do retorno decorrente de Euler é suficiente para controlar a flecha ⟹ Fórmula (A) governa.
  • Se T3(A) < T0, a tensão do retorno seria insuficiente e a correia cederia entre roletes. É obrigatório elevar T3 para T0, propagando a sobretensão para T2 e T1 ⟹ Fórmula (B) governa.

4.4 Dimensionamento da Carcaça, Lonagem e Verificação de Fator de Segurança

A resistência mecânica da correia é dada pela carcaça têxtil ou de aço (págs. 1.53 e 2.118 a 2.123):

Tad = Tu × B × nl [kgf] ou Tad = Capacidade_cm × (B × 2,54) [kgf]
Fator de Segurança: FS = Tad / T1_max ≥ 1,00 (Em regime contínuo)

Para emendas vulcanizadas a quente, a carcaça atinge 100% da resistência nominal. Para emendas mecânicas por grampos, a capacidade sofre redução de 20% a 25%.

Diâmetros Mínimos de Tambores (Tabelas 2-45 e 2-51): A correia exige tambores de diâmetro compatível com a rigidez das lonas e a tensão percentual (% Tad). Tambores subdimensionados provocam fadiga prematura da borracha de ligação e descolamento entre lonas (delaminação).

4.5 Tabelas Técnicas de Referência — Tensão, Carcaça & Lonas (Manual Faço)

Tabelas utilizadas na determinação de pesos próprios, capacidades de carga admissível das lonas sintéticas e compatibilidade mecânica dos tambores:

Tabela 1-27: Peso Próprio Médio da Correia (Wb em kgf/m)

Largura B 16" 20" 24" 30" 36" 42" 48" 54" 60" 72" 84"
Wb Médio (kgf/m) 5,2 6,5 7,7 a 8,5 11,9 14,3 17,7 20,2 26,8 29,8 35,7 41,6

Tabela 2-35: Especificação das Carcaças Têxteis de Poliéster/Nylon (PN)

Tipo de Lona Sintética Tensão Admissível Tad (kgf/cm·lona) Tensão Última de Ruptura Tu (kgf/cm·lona) Fator de Segurança Mínimo (FS) Aplicação Típica
PN 150 (EP 150)15,0150,0≥ 10,0Serviços leves a médios, cereais, cavaco de madeira.
PN 200 (EP 200)20,0200,0≥ 10,0Mineração leve, britagem primária/secundária, biomassa.
PN 2200 (Padrão Usinas)22,0220,0≥ 10,0Padrão em usinas de açúcar/álcool, celulose e papel.
PN 250 (EP 250)25,0250,0≥ 10,0Granéis pesados, areia, brita, clinquer e fertilizantes.
PN 315 (EP 315)31,5315,0≥ 10,0Minério de ferro, bauxita, calcário, longas distâncias.
PN 400 (EP 400)40,0400,0≥ 10,0Alta tensão de tração, transportadores de mina e portos.

Tabela: Diâmetros Mínimos Recomendados dos Tambores para Lonas PN (mm)

Diâmetro externo mínimo para prevenir descolamento entre lonas e quebra de emenda:

Classe de Lona e Camadas Tambor Motriz (> 60% Tad) Tambor Motriz (≤ 60% Tad) Tambor de Retorno / Cauda Tambor de Encosto / Desvio (Snub)
2 Lonas PN 150315 mm250 mm250 mm200 mm
3 Lonas PN 200 / PN 2200400 mm315 mm315 mm250 mm
4 Lonas PN 200 / PN 2200500 mm400 mm400 mm315 mm
3 Lonas PN 315500 mm400 mm400 mm315 mm
4 Lonas PN 315630 mm500 mm500 mm400 mm
4 Lonas PN 400800 mm630 mm630 mm500 mm
MÓDULO DE CÁLCULO 5

🔄 Tambores, Eixos & Rolamentos (Manual Faço págs. 1.57 a 1.65 e Cap. 2)

Dimensionamento dos elementos mecânicos dos tambores de correia: determinação vetorial da resultante das forças radiais da correia (T1, T2) e peso próprio (Wt), reações simétricas nos mancais (RA, RB), momento fletor (Mf), momento torsor (Mt) e momento ideal combinado (Mi), dimensionamento do diâmetro mínimo do eixo (d_mín), verificação rigorosa da flecha elástica (f ≤ L/1500), espessura mínima do corpo cilíndrico (s) e cálculo da vida útil de fadiga L10h dos rolamentos autocompensadores de rolos em mancais bipartidos SNL/SMR.

5.1 Geometria Básica e Padronização Dimensional dos Tambores (Tabela 1-44 Faço)

Ao se dimensionar um tambor industrial de correia (motriz, retorno, esticador ou desvio), as grandezas geométricas padronizadas são obtidas pela Tabela 1-44 (pág. 1.88 do manual):

  • Diâmetro do Tambor (D): Definido pela classe da carcaça e pelo número de lonas para evitar fadiga prematura da borracha e emendas.
  • Comprimento da Face (A): Geralmente A = B + 2" (50 mm) para correias até 42", ou A = B + 6" (150 mm) para larguras superiores.
  • Distância entre Centros de Mancais (L): Distância padronizada m1 entre as linhas de centro dos dois mancais de apoio.
  • Distância entre Discos Laterais (C): Distância entre as faces externas dos cubos fixados ao corpo cilíndrico.
  • Braço de Alavanca do Mancal ao Cubo (a): O balanço que gera a flexão no eixo é dado por a = (L - C) / 2.

5.2 Avaliação Vetorial de Cargas: Tensões T1, T2, Peso Próprio e Carga Radial P

As tensões na correia não atuam de forma colinear, mas sim tangencialmente ao tambor sob seus respectivos ângulos de entrada (α1) e saída (α2). A resultante é obtida pela decomposição cartesiana (pág. 1.58):

Px = T1 × cos(α1) + T2 × cos(α2) [kgf]
Py = T1 × sin(α1) + T2 × sin(α2) - Wt [kgf] (considerando o peso próprio Wt vertical para baixo)
Carga Radial Total: P = √(Px² + Py²) [kgf] | Ângulo da Resultante: αR = arctg(Py / Px)

Carga em Cada Mancal de Apoio: Como o tambor é simétrico entre os mancais A e B, a carga radial em cada rolamento é:

RA = RB = Fr_mancal = P / 2 [kgf]

5.3 Dimensionamento do Eixo à Flexo-Torção e Fadiga Cíclica (Tabela 1-30 Faço)

O eixo de um tambor motriz gira sob flexão cíclica alternada (fadiga a cada rotação) combinada com torção contínua:

Momento Fletor: Mf = (P / 2) × a = (P / 2) × [(L - C) / 2] [kgf·cm]
Momento Torsor: Mt = (T1 - T2) × (D / 2) = (102 × Pe / V) × (D / 2) [kgf·cm] (Mt = 0 para tambores movidos)
Momento Ideal Composto (Faço 1.59): Mi = √[(Kf × Mf)² + (Kt × Mt)²] com Kf = 1,5 e Kt = 1,0

O diâmetro mínimo do eixo na seção crítica do cubo e do mancal é calculado pela tensão admissível (Tabela 1-30):

d_mín = ³√[ (16 × Mi) / (π × σadm) ] [cm]
  • Aço SAE 1020: σadm = 420 kgf/cm² (c/ chaveta) | 560 kgf/cm² (s/ chaveta)
  • Aço SAE 1040: σadm = 560 kgf/cm² (c/ chaveta) | 750 kgf/cm² (s/ chaveta)
  • Aço SAE 4340: σadm = 700 kgf/cm² (c/ chaveta) | 930 kgf/cm² (s/ chaveta)

5.4 Critério Rígido de Flecha Máxima Admissível no Eixo (f ≤ L/1500)

Mesmo que o eixo resista às tensões de ruptura e fadiga, a sua deformação elástica (flecha) não pode ultrapassar os limites rigorosos estabelecidos pelo Manual Faço (pág. 1.60):

f = [P × Ks × (L - C) × (2L² + 2LC - C²)] / [48 × E × J] [cm]
Onde: Ks = 1,5 (coeficiente de serviço) | E = 2,1 × 10⁶ kgf/cm² | J = (π × d⁴) / 64 [cm⁴]

Limites Admissíveis Normativos:

  • Correias com largura até 54": f_adm = L / 1500
  • Correias com largura acima de 54": f_adm = L / 2000

Uma flecha excessiva causa inclinação angular do munhão dentro do mancal, gerando concentração de tensões nos cantos dos rolos do rolamento, aquecimento anormal e destruição prematura da pista de rolamento.

5.5 Dimensionamento de Rolamentos Autocompensadores de Rolos e Vida Nominal L10h

Os tambores de correia trabalham sob condições de poeira intensa, vibração e cargas elevadas. Por essa razão, a engenharia mundial e a Faço padronizam exclusivamente rolamentos autocompensadores de rolos de duas carreiras (Séries 222xx e 223xx), alojados em caixas de mancal bipartidas (Séries SNL / SMR com vedação taconita/labirinto).

Cálculo da Vida Útil pela Norma ISO 281 / CEMA:

Carga Dinâmica Equivalente: P_eq = Fr + Y × Fa [kgf] (com Fa residual ≈ 0,05 × Fr)
Vida Nominal L10h: L10h = [10⁶ / (60 × n)] × (Cr / P_eq)^(10/3) [horas]
Rotação do Tambor: n = (60 × V) / (π × D) [rpm]

O critério mínimo aceitável para operação contínua industrial (regime 24/7) é de 50.000 horas de vida útil (equivalente a aproximadamente 6 anos ininterruptos). Projetos de mineração severa recomendam 100.000 horas.

5.6 Fundamentação Teórica: De Onde Vêm as Cargas Atuantes vs. Capacidades de Catálogo e a Importância da Folga C3

Princípio Fundamental de Engenharia de Tambores:
• As Cargas Atuantes no Tambor NÃO São Tabeladas: Elas resultam da decomposição vetorial trigonométrica das forças reais da correia (tensão de entrada T1, tensão de saída T2, respectivos ângulos de inclinação α1 e α2) combinadas vetorialmente com o peso próprio do tambor (Wt). O esforço resultante radial P = √(Px² + Py²) e as reações nos mancais RA = RB = P / 2 são calculados sob medida para cada esteira.
• As Capacidades do Rolamento SÃO Tabeladas: A capacidade dinâmica de carga (Cr) e a capacidade estática (C0r) são valores nominais padronizados de catálogo conforme as normas internacionais ISO 281 e ISO 76, testados em bancada laboratorial por fabricantes renomados (SKF, FAG, Schaeffler, NSK, Timken).

1. Por que Rolamento Autocompensador de Dupla Carreira de Rolos (e NUNCA de Esferas)?

Os tambores de correias transportadoras operam sob cargas radiais extremamente severas (toneladas de tração contínua) combinadas com flexão elástica natural do eixo de rotação. Rolamentos rígidos de esferas falhariam rapidamente por concentração de tensão nos pontos de contato. Por isso, a norma CEMA e o Manual Faço padronizam exclusivamente Rolamentos Autocompensadores de Dupla Carreira de Rolos (Séries 222xx e 223xx):

  • Geometria dos Rolos: Possuem duas carreiras de rolos em formato de barril que rolam sobre uma pista externa esférica contínua.
  • Capacidade de Autocompensação Angular: Suportam deflexão angular do eixo de 1,5° a 2,5° sem aumentar o atrito interno nem provocar sobretensão nos cantos dos rolos, acomodando perfeitamente a flecha elástica do eixo em carga plena.
  • Resistência à Fadiga: A área de contato linear dos rolos oferece capacidade de carga dinâmica (Cr) de 3 a 5 vezes superior à de um rolamento de esferas de mesmo diâmetro.

2. Por que Folga Radial Interna C3 e a Prática de Montagem em Campo?

A folga interna inicial de um rolamento novo sem montagem é classificada em Normal (CN), C3 (maior que a normal) ou C4. Na manutenção e montagem de tambores de esteiras, a especificação mandatória é a Folga C3 pelos seguintes motivos mecânicos:

  1. Expansão Radial durante o Aperto da Bucha Cônica: Ao montar um rolamento de furo cônico (1:12) sobre a bucha de fixação (Série HE 3xx ou HE 23xx), o técnico aperta a porca KM. Ao subir pela rampa cônica, o anel interno do rolamento é tracionado e expande radialmente, consumindo gradualmente a folga interna entre os rolos e a pista externa.
  2. Ajuste Prático em Campo com Calibrador de Lâminas (Feeler Gauge): Os montadores em campo medem a folga inicial entre o rolo mais alto e a pista externa com lâminas apalpadoras. À medida que a porca da bucha é apertada, o técnico confere a redução de folga recomendada pelo fabricante (ex: para rolamento 22238, folga C3 inicial de 0,160 a 0,220 mm é reduzida em 0,075 a 0,090 mm, restando uma folga residual operacional de 0,085 a 0,130 mm).
  3. Prevenção de Travamento por Dilatação Térmica: Se fosse utilizado um rolamento com folga normal (CN), o aperto da bucha deixaria o rolamento praticamente com folga zero. Quando o equipamento entrasse em rotação e aquecesse, a dilatação do anel interno provocaria pré-carga radial excessiva, superaquecimento rápido, quebra da gaiola e engripamento catastrófico.

3. Nomenclatura Normativa e Sufixos de Fabricação (SKF / FAG)

Tipo de Fixação Designação Completa Furo Caixa de Mancal Fixação no Eixo Lubrificação
Mancal Bipartido com Bucha de Fixação 222xx CCK/C3W33 ou 223xx CCK/C3W33 Cônico 1:12 (Sufixo K) SNL 5xx / SD 31xx Bucha HE 3xx (com porca KM e arruela MB) W33: canal e 3 furos de engraxamento no anel externo
Mancal com Assento Cilíndrico Direto 222xx CC/C3W33 ou 223xx CC/C3W33 Cilíndrico Reto (Sem K) SNL 2xx / SD 31xx Assento usinado direto com interferência (m6/k6) W33: canal e 3 furos de engraxamento no anel externo

5.7 Tabela 1-44: Dimensões Gerais de Tambores de Correia (Pág. 1.83 do Manual Faço)

Tabela normativa integral reproduzida da Página 1.83 do Manual de Transportadores Contínuos Faço. Define os padrões dimensionais dos tambores em função da largura da correia (B) e diâmetro do eixo (d):

Largura da Correia B t (pol) Face A (mm) Distância entre Mancais m₁ (mm) m (mm) Distância Discos C (mm) Peso Médio Wt (kgf) Balanço da Calha e (mm)
d ≤ 90 mm 90 < d ≤ 125 d > 125 mm 20° 35° 45°
16" (400 mm)18"500800850—65046095152530
18" (450 mm)20"550850900—700510110152530
20" (500 mm)22"600900950—750560130152530
24" (600 mm)26"700 (710)1000 (1050)10501150850660 (670)185152535
30" (750 mm)32"850 (900)1150 (1200)120013001000810260203040
36" (900 mm)38"1000 (1050)1300 (1350)135014501150960360203545
42" (1050 mm)44"1150 (1200)1450 (1500)1500160013001110480254050
48" (1200 mm)51"1350 (1400)16501700180015001310620254555
54" (1400 mm)57"1500 (1600)18001850195016501460780305060
60" (1500 mm)63"1650 (1750)19502000210018001610950305065
72" (1800 mm)75"1950 (2050)225023002400210019101380356075
Legenda Dimensional: B = largura da correia; t = vão entre longarinas; A = comprimento da face do tambor; m₁ = distância entre centros de mancais (em função do diâmetro d do eixo); m = vão entre apoios estruturais; C = distância entre as faces externas dos discos laterais; Wt = peso médio do tambor padrão; e = sobrelevação lateral da borda da correia na calha.

5.8 Tabelas Técnicas: Aços de Eixos (Tab. 1-30) e Catálogo de Rolamentos Autocompensadores (ISO 281)

Tabela 1-30: Tensões Admissíveis dos Aços para Eixos de Tambores (Manual Faço pág. 1.59)

Material do Eixo Com Rasgo de Chaveta (σadm) Sem Rasgo de Chaveta (σadm) Limite de Escoamento (fy) Indicação de Engenharia
Aço SAE 1020420 kgf/cm² (41,2 MPa)560 kgf/cm² (54,9 MPa)250 MPaTambores de retorno/desvio leves em serviço não crítico.
Aço SAE 1040 (Padrão Faço)560 kgf/cm² (54,9 MPa)750 kgf/cm² (73,5 MPa)360 MPaPadrão industrial: eixos motrizes de esteiras de média/alta potência.
Aço SAE 4140 (Beneficiado)630 kgf/cm² (61,8 MPa)840 kgf/cm² (82,4 MPa)650 MPaAlta solicitação mecânica, britagem pesada e mineração.
Aço SAE 4340 (Beneficiado)700 kgf/cm² (68,6 MPa)930 kgf/cm² (91,2 MPa)850 MPaServiço extra pesado, tambores de alta tensão e correias de cabo de aço.

Catálogo Completo de Rolamentos Autocompensadores de Dupla Carreira de Rolos (ISO 281 / Catálogo de Mancais)

Rolamentos padronizados para tambores industriais: furo cônico (com bucha HE) vs assento direto cilíndrico, ambos com Folga C3 e lubrificação W33:

Ø Eixo no Mancal Rolamento c/ Bucha Cônica Bucha de Fixação Rolamento Assento Cilíndrico Caixa Bipartida Capacidade Dinâmica Cr Capacidade Estática C0r
Ø 40 mm22209 CCK/C3W33HE 30922208 CC/C3W33SNL 5098.850 kgf (86,8 kN)8.800 kgf
Ø 50 mm22211 CCK/C3W33HE 31122210 CC/C3W33SNL 51110.600 kgf (104 kN)11.000 kgf
Ø 60 mm22213 CCK/C3W33HE 31322212 CC/C3W33SNL 51315.900 kgf (156 kN)16.900 kgf
Ø 70 mm22216 CCK/C3W33HE 31622214 CC/C3W33SNL 51621.600 kgf (212 kN)24.500 kgf
Ø 80 mm22218 CCK/C3W33HE 31822216 CC/C3W33SNL 51824.500 kgf (240 kN)27.500 kgf
Ø 90 mm (Padrão 24")22220 CCK/C3W33HE 32022218 CC/C3W33SNL 52034.200 kgf (335 kN)38.200 kgf
Ø 100 mm22222 CCK/C3W33HE 32222220 CC/C3W33SNL 52243.300 kgf (425 kN)50.000 kgf
Ø 110 mm22224 CCK/C3W33HE 312422222 CC/C3W33SNL 52457.100 kgf (560 kN)66.800 kgf
Ø 120 mm22226 CCK/C3W33HE 312622224 CC/C3W33SNL 52666.500 kgf (652 kN)78.000 kgf
Ø 140 mm22230 CCK/C3W33HE 313022228 CC/C3W33SNL 53093.000 kgf (912 kN)115.000 kgf
Ø 160 mm22236 CCK/C3W33HE 313622232 CC/C3W33SD 3136145.000 kgf (1.422 kN)185.000 kgf
Ø 170 mm22238 CCK/C3W33HE 313822234 CC/C3W33SD 3138162.000 kgf (1.589 kN)212.000 kgf
Ø 190 mm22242 CCK/C3W33HE 314222238 CC/C3W33SD 3142162.000 kgf (1.589 kN)212.000 kgf
Ø 200 mm22244 CCK/C3W33HE 314422240 CC/C3W33SD 3144220.300 kgf (2.160 kN)295.700 kgf
MÓDULO 6 • CINEMÁTICA & TRAJETÓRIAS

6. Trajetória de Descarga, Chutes & Defletores (Manual Faço Seções 1.84 a 1.87)

Formulação matemática analítica, tabelas completas de centro de gravidade (Tab. 1-45) e cotas de queda livre (Tab. 1-46) para determinação precisa da trajetória de lançamento de granéis em tambores de cabeça.

6.1 Princípio Físico da Descarga e Determinação do Ponto de Desprendimento

Ao atingir o tambor de descarga, o fluxo de material sólido sobre a correia passa de uma trajetória retilínea para uma trajetória circular de raio r com rotação n. Nesse instante, cada partícula de material fica sujeita a duas forças concorrentes principais:

  • Força da Gravidade (Peso): P = m × g (atuando verticalmente para baixo).
  • Força Centrífuga: Fc = (m × Vt²) / r (atuando radialmente para fora da curvatura do tambor).
Raio do CG: r = (D/2 + 25,4·e + a) / 1000 [m]
Rotação do Tambor: n = (60.000 × V) / (π × D) [rpm]
Velocidade Tangencial: Vt = (r × n × π) / 30 [m/s]
Fator Centrífugo Adimensional: Y = Vt² / (g × r) [com g = 9,8 m/s²]

Critério Governante de Separação (Desprendimento da Correia):

• Se Y ≥ 1 (Velocidade Alta / Força Centrífuga Predominante): A força centrífuga supera ou iguala o peso imediatamente no contato com a curvatura. O material desprende-se imediatamente na chegada ao tambor na direção da tangente de entrada.
• Se Y < 1 (Velocidade Moderada / Baixa): A gravidade é superior à força centrífuga no topo. O material acompanha a curvatura da correia sobre o tambor até o ponto angular onde a componente radial da gravidade iguala a força centrífuga:
cos Ψ = Y ⟹ Ψ = arccos(Y) [graus medidos além da vertical superior].

6.2 Classificação Normativa nos 6 Casos de Trajetória (Manual Faço pág. 1.86)

O Manual Faço classifica o comportamento da trajetória em 6 casos distintos em função da inclinação longitudinal da esteira (λ) e do fator centrífugo (Y):

Caso Faço Perfil Longitudinal Critério Físico Ponto de Desprendimento Comportamento Parabólico
Caso 1 Horizontal (λ = 0°) Y ≥ 1 No topo do tambor (Ψ = 0°) Lançamento horizontal com velocidade inicial Vt. Queda suave para a frente.
Caso 2 Horizontal (λ = 0°) Y < 1 No ângulo Ψ à frente do topo O material contorna o tambor até cos Ψ = Y e é lançado inclinando-se para baixo.
Caso 3 Aclive / Ascendente (λ > 0°) Y ≥ 1 Na tangência de chegada ao tambor Material é lançado para cima com ângulo +λ, atinge o vértice e desce em parábola.
Caso 4 Aclive / Ascendente (λ > 0°) Y < 1 cos λ ≤ Y ⟹ na tangência
cos λ > Y ⟹ no ângulo Ψ
Se a projeção do peso na tangência superar Fc, acompanha o tambor até Ψ além do topo.
Caso 5 Declive / Descendente (λ < 0°) Y ≥ 1 Na tangência de chegada ao tambor Lançamento imediato apontando para baixo com ângulo -λ.
Caso 6 Declive / Descendente (λ < 0°) Y < 1 No ângulo Ψ Material contorna o tambor até que a componente gravitacional permita o desprendimento.

6.3 Tabela 1-45 Integral: Distância 'a' do Centro de Gravidade à Correia (Pág. 1.85 do Manual Faço)

Tabela normativa integral que fornece a distância vertical a (em milímetros) entre a face da borracha da correia e o centro de gravidade da seção de carga em função do ângulo dos roletes (β), do ângulo de acomodação (α) e da largura da correia (B):

Roletes (β) Acomodação (α) 16"20"24"30"36"42"48"54"60"72"84"96"
Roletes a 20° (Calha Suave / 3 Rolos)
20°0°101518202833384348586979
20°5°131520253341465358698194
20°10°1520253338465361698399114
20°20°202533414858697586107125142
20°25°212836465666768696117137158
20°30°2333385061748496109130155180
Roletes a 35° (Padrão Industrial / Mineração)
35°0°15232836435061697691104119
35°5°182530384856667684102119137
35°10°212533435364748491112132152
35°20°2333415364748696109132155178
35°25°25364356697994104117142168193
35°30°283846587486102114127152178203
Roletes a 45° (Alta Calha / Granéis Leves)
45°0°202533465061697989107127147
45°5°212836465666768696117137158
45°10°2330384858718191104124173196
45°20°25364356697994107117142168193
45°25°28364658718499112124150175198
45°30°303848617689104117132160191221
Roletes Planos (β = 0°)
0°5°34467891112141718
0°10°689101417192224293443
0°15°91113152025273335435363
0°20°121518202833374347576878
0°25°142022243441455459718496
0°30°18232629414954657085100116

6.4 Tabela 1-46 Integral: Cotas Verticais de Queda Livre 'j' (Pág. 1.86 do Manual Faço)

A determinação geométrica de qualquer parábola balística sob gravidade baseia-se na composição do avanço constante na tangente de lançamento e na queda livre vertical acelerada. O Manual Faço adota intervalos padronizados de tempo Δt = 1/20 segundo = 0,05 s:

Avanço na tangente: i = 50 × Vt [mm] (distância percorrida em 1/20 s)
Queda vertical da gravidade: j = ½ × g × t² = ½ × 9800 × (k × 0,05)² [mm]
Intervalo (k)12345678910
Tempo t (s)0,050,100,150,200,250,300,350,400,450,50
Cota j (mm)134911119730644160078410031226
Intervalo (k)11121314151617181920
Tempo t (s)0,550,600,650,700,750,800,850,900,951,00
Cota j (mm)1483176520622402275631373542397443824909

6.5 Projeto Construtivo de Chutes de Transferência & Dispositivos de Descarga (Manual Faço pág. 1.87)

O objetivo do cálculo preciso da trajetória é dimensionar corretamente a bica ou chute de descarga, garantindo transferência contínua, centrada e suave sem choque direto perpendicular e sem acúmulo de pó abrasivo:

  • Placa de Desgaste Defletora (Baffle Plate): Deve ser posicionada de forma que o fluxo incida com ângulo entre 45° e 60°. Ângulos de 90° causam impacto frontal violento, esmagamento de grãos, degradação de material e rápido desgaste da chapa. Ângulos menores que 40° podem gerar acúmulo e embuchamento se o material for úmido.
  • Raspador Primário de Correia (Doctor Blade): Instalado imediatamente após o ponto de separação da correia na tangência inferior do tambor, raspando a película fina aderida e direcionando-a para dentro do bocal do chute.
  • Folga Superior Livre (Headroom): O topo do capô deve estar afastado no mínimo 150 a 200 mm da envoltória superior do fluxo para circulação de ar induzido.
  • Tipos Especiais de Descarga (Manual Faço pág. 1.87):
    • Trippers (Móveis ou Fixos): Elevam a correia sobre dois tambores intermediários para descarregar em qualquer ponto ao longo do comprimento do transportador.
    • Desviadores (Arados em V): Lâminas diagonais que raspam o material lateralmente sobre roletes planos sem interromper o percurso da correia.
Módulo da Memorial:
DIMENSIONE

Memorial de Cálculo Completa do Contrapeso da Esteira

Dimensionamento e Avaliação de Sistema de Tensionamento por Gravidade

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